A histórica centésima edição da São Silvestre seria uma edição imperdível, não? Exceto para os muitos que não conseguiram se inscrever diante da confusão que foi criada nas inscrições da prova, com filas virtuais intermináveis e onde muitos perderam o lugar sem saber exatamente a razão. Enquanto isso, outros descobriam formas de se desviar dessa fila, por falha no sistema de inscrições, e a realizavam tranquilamente, sem ter que esperar nada.
E isso tudo mesmo sendo uma edição com um número recorde de inscrições disponibilizadas, falando-se em 55 mil inscritos, um volume que quase duplicava a edição anterior. Será que ia dar certo? Será que a organizadora, agora a Vega Sports, daria conta dessa multidão?
A retirada de kits parecia que ia se encaminhar em uma certa normalidade. Sim, na abertura do primeiro dia havia uma fila enorme no Ibirapuera, tanto que a abertura que se iniciaria às 09h00 foi antecipada para 8h40. Mas isso era esperado, e apesar da fila monstro, esse primeiro momento até que correu bem, dentro do esperado. Eu mesmo retirei meu kit no mesmo primeiro dia, mas um pouco mais tarde, quando deu uma chuva e o Parque estava mais vazio. E as filas para retirada do kit inexistents. O que pude ver é que haviam muitos guichês o que indicaria um dimensionamento razoável para dar conta de tanta gente, mesmo sendo essa retirada de kit programada para 4 dias.
Afora problemas pontuais com uma ou outra inscrição, tudo parecia bem. Contudo, o problema apareceu lá para o final do período de inscrições e uma inaceitável falta de camisetas no kit, alegadamente em razão de problemas com a logística e distribuição de produtos. Complicado, hein? Houve também reclamação com o excessivo calor dentro da Expo, lotada de corredores e sem ventilação adequada.
A largada para essa multidão foi programada em 6 ondas, além dos pelotões de elite e premium, com pouca gente. Eu estava programado para largar no terceiro pelotão, o Verde Par, que ficaria concentrado do lado direito da Avenida Paulista. Achei as orientações corretas e entrei no meu setor sem muito problema e percebendo que era feita uma checagem da entrada dos corredores, impedindo que um corredor de outro pelotão ingressasse no local errado. Aparentemente havia muito controle, resolvendo a maior parte das questões. Há relatos de que um ou outro conseguiu burlar esse controle, e imagino que isso tenha ocorrido já próximo ao horário de largada, onde a procura e o acúmulo de gente deveria ser muito grande, mas para mim tudo estava bem controlado. O problema foi não ter conseguido largar com o Sérgio, o Dalton e a Dani, mas no mesmo bolsão acabei encontrando outros amigos, como a Martinha, o Brum e o Xu. Fora conseguir ver a Maria Zeferina Baldaia e a Rosa Mota antes da largada!!


Aliás, a impressão era a de que todo o mundo da corrida estava lá, de tão cheio. Mas mesmo assim a largada em ondas funcionou bem para mim. Pelos relatos, para os corredores dos bolsões azul par e ímpar e verde par e ímpar, a coisa funcionou bem, tanto que pela primeira vez na minha vida de São Silvestre eu consegui largar e... correr! Sim, correr, e não ficar caminhando preso na multidão até a coisa se dispersar um pouco, como sempre ocorreu nas São Silvestres, mesmo não largando lá atrás.


Aproveitei essa liberdade? Na verdade não muito, porque tinha marcado com o Sérgio na esquina da Dr. Arnaldo com a Pacaembu, na banca de jornal, já que eles largariam depois, na onda Verde Ímpar. E ficamos lá, eu e Xu, esperando o pessoal. Ali também acabou sendo ponto de encontro de vários SuperMários da Z-Track, o que tornou a espera no mínimo divertida!! Mas o fato é que depois de mais de meia hora, e já percebendo que os corredores da onda Vermelha Par apareciam, resolvemos seguir caminho, imaginando que eles ou não quiseram nos encontrar, ou não nos acharam por não procurar direito.


A prova em si foi um enorme bate papo com o Xu. Como ficamos um pouco mais para trás, havia um número maior de corredores e muitos mais lentos que nós, que já seguíamos num ritmo bem levinho. De qualquer forma, tava fluindo. Em relação à prova em si, o que percebi foi que já não havia água gelada (só peguei em um posto) e em alguns lugares já começava a escassear, com postos onde várias das mesas não tinham mais água, disponível apenas em poucos lugares. Isso não impediu muita festa, muitas fantasias, muita bagunça (no bom sentido) dos corredores, pontos com bandas e muita gente dançando...


Aí chegamos ao km 41 da Brigadeiro, o nosso velho posto de cerveja gratuita que todo ano eu ajudo seja na distribuição, seja contribuindo, seja as duas coisas. Inclusive o fato de correr com a camiseta do Km 41 fez com que muita gente durante a prova falasse comigo justamente para comentar que ali seria o grande momento da prova. E foi mesmo para muita gente. Ao chegar lá acabamos encontrando Sérgio, Dani, Dalton e mais um monte de gente que aparecia, menção especial ao Cullen se recuperando de seu câncer e conseguindo correr a São Silvestre!!
Depois de uma bela parada de muitos minutos e muita resenha, resolvemos seguir caminho. Cruzamos a linha de chegada, caminhamos um monte até chegar na região das medalhas, enfrentamos uma filinha esquisita em 45º, já percebi que começava a faltar medalha em alguns dos pontos de distribuição, abri mão do sorvete da Bacio de Latte porque não gosto e porque tinha muita fila e fomos para a nossa tradicional cerveja na Pamplona.


Só depois é que, acompanhando as notícias da prova, ficamos sabendo que de fato tinha faltado medalha para muita gente, que tinha faltado água, enfim, que a prova foi problemática para o pessoal mais lento, que largou no pelotão vermelho e que sofreu com a falta de apoio e a premiação pelo desafio cumprido. Uma pena, mas também algo que já pressentíamos diante do crescimento enorme da prova, além da esperada presença de muitos pipocas bandidos, alguns exibindo com orgulho a medalha que roubaram de corredores que efetivamente estavam inscritos e não puderam recebê-la. Aliás, também houve denúncia de gente do próprio staff da prova, que teria desviado algumas medalhas para revendê-las depois a quem não tinha conseguido obtê-la, inclusive com vídeo no metrô mostrando os meliantes tentando vendê-las. Nos dias seguintes à prova pipocaram anúncios vendendo a medalha da prova a preços absurdos em sites como o Mercado Livre e OLX.
É isso, São Silvestre histórica por bons e maus motivos! E eu estive lá!