Enfim, de volta a uma ultramaratona, depois de quase 5 anos. Escolhi a UD 55 Bertioga porque pela distância não muda tanto a rotina de treino, só pega um pouco mais de volume, porque também conheço a organizadora UltraRunner eventos, com quem já corri várias ultras, e também porque o relevo seria bem tranquilo e plano, 55km de plano na areia dura das praias de Bertioga.
O único problema é que praia geralmente é mais quente e mais úmido, o que dificulta um pouco, ainda mais com uma largada às 08h00. Além disso, mesmo sendo praias de areia dura, o piso segura um pouco mais do que o asfalto, o que te torna um pouco mais lento. Para compensar, o impacto nas articulações é menor, tornando dispensável um tênis mais alto e de amortecimento.
O ciclo foi ótimo, mas tive alguns problemas no final da preparação. Família, basicamente, o que me fez ter que viajar no feriado de páscoa, final de semana anterior à prova, sem poder treinar direito, e também a dificuldade na sexta-feira, quando tive que levar o filho no futebol à noite. Cheguei em Bertioga para dormir quase meia-noite e sem jantar, na véspera da prova. Bom, pelo menos a prova não larga tão cedo...
Pelo clima da sexta e previsão do tempo, estava otimista, dia meio nublado, com temperaturas mais amenas e até uma chuvinha pra refrescar. Só que na prática, o 11 de abril amanheceu sem nenhuma nuvem no céu e um solzão lindo pra queimar a pele. Wear sunscreen!!!
Antes de largar, encontrei a velha guarda da Trilopez: Alaelson, Alex Greif, Diego e Dalvinha. Só que ninguém iria para a distância maior. Largada em paz, saindo bem levinho, controlando o ritmo para 6m30-6m50/km, sem fazer força e tentando correr tangenciando a linha da água, já que algumas das praias percorridas são curvas. Por que a galera insiste em fazer o trajeto mais longo? Medo de molhar o tênis. Inevitável nessa prova, já que passamos por diversos canais, além de um riozinho pequeno entre Indaiá e Riviera de Sâo Lourenço, e um rio grande, o Rio Itaguaré, cuja travessia seria feita em cima de caiaques abertos puxados por staffs.
O retorno, lá no rio de Guaratuba, bateu no km 29. Lógico que antes disso eu já vi muita gente voltando e deu pra perceber que não tava lá numa boa colocação na prova para almejar qualquer pódio na categoria. Com o acúmulo de quilometragem, a confirmação de quebra de expectativa, o sol ardendo pra cacete e o pé direito doendo no tornozelo, passei a seguir bem mais tranquilo, só voltando para completar a prova, até porque embora já tivesse passado da metada, cada quilômetro a partir dali parecia estar duplicado, triplicado, quadruplicado...
A volta passando pela Riviera, já depois do km 40, foi especialmente chata. Isso porque tinha muita gente na praia, naquele dia de sol lindo. Era criança passando correndo, bolinha de frescobol voando, bola de futebol quicando aqui e ali. E o sol ardendo, e o raio do próximo posto que não chegava nunca naquele ritmo mais lento.
Mas finalmente cheguei. Tornozelo direito doendo pra caramba, uma tendinite que apareceu por pisar torto, pra dentro, e um certo cansaço, mas nada de absurdo se pensar que tinha corrido 56 km naquele solzão todo. 7h18, mais ou menos uns 50 minutos acima do que esperava no melhor panorama, mas justificado pela volta num ritmo muito mais tranquilo.
Foi bom? Foi legal, um perrenguinho bacana. 7º em 13 na categoria, os melhores fizeram abaixo de 6hs, eu não ia conseguir pegar mesmo. O vencedor fez em 4h58m e eu voltei para São Paulo com o estoque de Vitamina D lotado para pelo menos um mês, tá louco!! E com isso completo a minha 49º maratona/ultramaratona. Rumo aos 50, espero que ainda com 50 (anos)!!






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