quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Urubici 2008 - 50k

Primeira ultra! E que ultra... Urubici é conhecida nacionalmente por três coisas: é o lugar onde se registrou a temperatura mais fria do Brasil, -17ºC; também é onde fica uma das antenas do CINDACTA, no alto do morro da Igreja; por fim, é conhecida por suas paisagens alucinantes, pois fica no meio da montanha, com cânions e morros belíssimos.

Bom, o frio tava lá. A antena também. Mas as paisagens... impossível de ver atrás da neblina monstro que caiu sobre Urubici!

Apesar da "propaganda", nenhuma das edições anteriores tinha sido exatamente fria como esperavam os organizadores. Mas parece que nessa as expectivas finalmente seriam alcançadas. Chuva e frio, uma prova que prometia ser inesquecível (e o conceito de inesquecível não é exatamente bom).

Larguei num ritmo tranquilo, afinal tinha muito chão pela frente. E que chão! Quando saímos para a área rural, começou a chover mais forte. Justamente no trecho onde não havia mais asfalto, só terra e grama. O tênis já estava totalmente encharcado antes do 7º km. As subidas eram impossíveis de serem feitas mesmo para um carro 4 x 4, o que se dirá de pobres corredores 2 x 2 com muito menos cavalos de potência??

Derrapava no barro. Eram 3 passos para frente e 2 para trás. Atravessar rio por cima de uma pinguela (ou tentando nadar, como fez o Paulinho Lacerda). Pisar na grama e afundar a perna até o joelho. Parar para olhar a Cachoeira Véu de Noiva. Nos trechos normais, eu alcançava e até chegava a ultrapassar a Cinthia.

Nos trechos off-road, o contrário. Até que enfim chegamos à subida propriamente dita, pela estrada. Ali dava pra correr. Era inclinado, subida, mas era asfalto. Contei com a companhia do famoso ChicoMaratona, com suas 80 maratonas no currículo e uma horrível camisa do Grêmio por cima de todos os agasalhos.

Subia e ia ficando frio, frio, frio. Estávamos cruzando a neblina, as nuvens e chegando no pico da Serra mais fria do Brasil.

Enfim, o topo. Sensação térmica de -5ºC! E a delicada descida da volta, o que mais me amedrontava. Porque descer pelo barrancal todo ia ser difícil. Mas descobri que o caminho não se repetia. Passávamos por outros barrancos, muuuito piores... caí umas trocentas vezes. Tinha lama até dentro da orelha. Em um dos quilômetros cheguei a fazer 22min/km! Perdia o tênis na lama, tirava o pé, tropeçava, caía, sentia cãimbra nas costas, no peitoral, voltava a correr, caía de novo, escorregava... descer foi muito, muito mais lento do que subir.

E quando finalmente chegou o plano, ainda faltavam uns 08km para chegar. Eu trotava a xingava a maldita hora em que tinha topado fazer aquilo. Ao mesmo tempo estava feliz, porque sabia que ia completar, o pior já tinha passado e estava relativamente bem, cansado, mas longe do limite da exaustão.

Quando cheguei na cidade, ouvi passos atrás de mim. Um corredor se aproximava e... oras bolas, faltando 1 km pra chegar eu não ia perder mais uma posição! Não agora em que pelo menos conseguia correr! Fiz esse 49º quilômetro em 4min55!! O interessante é que a corrida não tem 50km. Porque a gente passou pela marca do 50ºkm e a chegada não estava lá!!! Na verdade, ainda ia me arrastar por mais 1km até chegar de verdade, tempo em que ainda consegui ultrapassar um corredor que, basicamente não tinha mais pés...

Inenarráveis 07h14min21s!! E mais um desafio cumprido. Posso afirmar com certeza que o banho que tomei após a corrida foi o melhor banho de toda a minha vida... e o lanche então? Coxinhas, salgadinhos... o duro era andar até lá!



2 comentários:

Anônimo disse...

VC PUBLICA ESSE POST SOBRE UMA PROVA DESSAS E NÃO PUBLICA O SITE DO EVENTO...

Ricardo Nishizaki disse...

Pô, desculpa, não sabia que era obrigatório... é prova do Carlos Duarte, Ecofloripa.