quinta-feira, 28 de abril de 2011

Dolorido é melhor?

Após um feriadão fugindo do ovo de páscoa (continuo a fugir, mas confesso a ingestão de alguns bombons...), uma nova série de musculação que me quebrou totalmente na segunda. Nos últimos 2, 3 meses, o Gabriel me passara exercícios de força extrema, com pouquíssima repetição e carga máxima, desenvolvendo potência mas sem causar microlesões musculares. Assim, não tinha dor pós-treino. Também não tinha hipertrofia, mas essa não era o objetivo da musculação mesmo. O objetivo era o de buscar, com maior potência muscular , uma economia maior na rodagem de alta intensidade na corrida. Acho até que deu certo, me sinto mais rápido. Em compensação, a ausência de trabalho de resistência muscular me deixa um pouco inseguro sobre a manutenção de esforço em longos períodos, muito embora os treinos longos com muita subida tenham esse objetivo secundário, também.

O problema é que a musculção mudou, e passou a uma série de muita repetição com menos carga, o que causa... dor! Dói porque não estava acostumado a esse tipo de treino, dói porque é pra doer mesmo... o resultado é que na terça estava imprestável. Mas tinha treino de corrida e fomos assim mesmo!

E a série não era nada tranquila. 12k em fartlek, e ainda a ser feito junto com a Grazi e a Edith, duas maquininhas de correr. Elas não são rápidas o suficiente para me deixar comendo poeira nos metros iniciais, mas são mais rápidas que eu e em um nível onde o bobão aqui é capaz de seguir com elas um pouquinho acima do próprio limite, com previsível resultado de quebra no final do treino...

O ritmo? Médio no 1° km (meia-maratona), forte no 2°km (10k) e mais forte ainda no 3° km (5k), repetindo isso 4 vezes, sem pausa. Saí mancando, com a Edith disparando na frente e eu mal conseguindo acompanhar o ritmo da Grazi, já que o médio delas já estava em 5min/km. No entanto, após algum tempo, ainda que as dores se mantivessem, as pernas foram soltando, e eu logo estava puxando o ritmo das duas! Milagre!

Fechei a primeira volta de 3km em 14min30 e, basicamente, mantive esse ritmo com pequena variação para cima, fechando o treino todo em 58min21s. 4min51s/km de média, primeira vez na minha vida que corro 12k abaixo de 1 hora. E uma das poucas vezes que faço um treino de ritmo mais forte do que a Edith e a Grazi. Talvez tenha sido o tênis super leve Nike Free. Talvez tenha sido o clima frio, que ajuda na hora de correr e tira o "trânsito" do parque. Mas talvez tenha sido a vontade de acabar logo o sofrimento, porque as dores musculares continuaram lá. Ridículo saber que eu posso fazer um treino tão bom e, logo a seguir, mal conseguia entrar no carro pra ir pra casa...

domingo, 24 de abril de 2011

Correndo do ovo

Aparentemente finalmente comecei a perder uns quilinhos extras. Efeito das corridas e treinos longos e de uma leve moderação alimentar. Mas agora que tá começando a dar certo, vamos tentar segurar até as próximas férias. Correndo do ovo de páscoa! Agora, neste exato momento, domingo de páscoa à noite, não comi nenhuma lasquinha de ovo da páscoa! Nada!! Até quando aguentar...?

Vamos aos treinos. Que foram poucos. Só agora, neste domingo, depois de 3 semanas doente é que começo a me sentir melhor de verdade. Imediatamente após a Corrida da Ponte não senti nada, nem cansaço. Mas deu a famosa dor muscular tardia e na segunda tava meio dolorido. Idem na terça, quando tentei treinar. A série que nos foi passada era um progressivo de 3km, com 2 minutos de pausa, seguidos por um tiro de 1 km, mais uma pausa de 2 minutos, outro tiro de 1km, e nova pausa de 2 minutos, recomeçando essa série. A primeira saiu. Meio aos trancos e barrancos, mas fechei os 3km em 14min50. Os tiros de 1 km saíram na casa de 4min30. O segundo progressivo de 3km saiu pra 14min27, mas tava difícil respirar, tossia muito. E aí, na hora dos tiros, minha perna direita simplesmente travou. E eu resolvi parar, porque tava difícil mesmo fazer. Treino abortado no final, 09km feitos, dos 10 km previstos, sendo o último bem lento a 5min20s. De Nike Structure Triax.

Na quarta retorno à musculação e um presente do Jonas: uma das camisetas que ele mandou fazer pro solo da Bertioga-Maresias. O cara vai pra segunda, e de novo vai tentar um top 10.

Aí veio o feriado. E uma viagem a São Roque com a família, com muita comida mineira, muita besteirinha e eu me segurando, comendo moderadamente e tossindo nos intervalos... mas consegui fazer algumas caminhadas e o treino longo do final de semana, com 3hs e 24km percorridos nas estradas de terra de São Roque, experimentando bastões de caminhada e uma nova mochila de hidratação. Tava um sol... sobe, desce, sobe, desce, sobe, desce, tudo em estrada de terra, terreno bom pra correr, mas com muita rampa curta. Eu caminhei nas subidas e corri nos planos e nas descidas. Daí a quilometragem baixa para o tempo. Mas foi interessante, deu pra sentir os prós e contras dos bastões, o peso, e também a adaptação ao novo tênis da North Face. É um pouco pesado e rígido, mas não deu bolha e nem foi desconfortável, exceto se correr muito rápido em descidas, situação em que o pé escorrega um pouco dentro dele. Preciso "fechar" mais os cadarços.

Enfim, uma semana meia boca, mas com a importante notícia de que eu estou, finalmente, me livrando dessa maldita sinusite!! E sem apelar pro ovo de páscoa.

domingo, 17 de abril de 2011

Corrida da Ponte 2011

Pois é. Uma semana de molho. Depois de uma boa semana que foi a semana passada, quedei-me com uma sinusite braba, feia mesmo. Para não dizer que não fiz nada, tentei um treino na quinta, mas foi triste: 3km em 18 minutos e o resto do treino abortado por completa falta de condições. Na sexta á noite, ao menos, senti que começava a melhorar, mas mesmo assim ainda longe do ideal. No sábado viajei para o Rio sem saber se ia dar ou não, mas apesar da inflamação nos sinos continuar pegando e apesar de acordar com uns acessos de tosse no meio da madrugada, já me senti fisicamente melhor. Não estava bem, mas estava melhor.


Na retirada do kit, uma dose de ânimo, ao encontrar tanta gente conhecida. Marcelo Jacoto, Baleias de BH, Jorge Cerqueira... também consegui combinar com o Capitão Rodrigo Frotinha e fomos juntos até a largada, pegando as barcas pra Niterói onde supostamente encontraríamos o Felipe Carino e o Ruy. Supostamente porque eu não encontrei, mas ao menos achamos a Yeda e o Zizi. Mas numa saidinha pra ir ao banheiro antes da largada, já me perdi de todo mundo de novo. Por um golpe de sorte achei o Zizi e largamos juntos, num sol de doer já às 08h00...

Frotinha sorrindo antes da largada. Não sei se o sorriso era o mesmo depois do final da prova...
Acompanhei o Renato (Zizi) por 1,5km e aí deixei ele ir. Para mim estava meio forte, não tinha a menor convicção sobre minhas reais condições físicas então segui num conservadoríssimo ritmo de 5min35/km. Fui bem assim durante toda a subida até o vão central. O Garmin marcou 80m de elevação, mas sei que essa a maior imprecisão do GPS. De qualquer modo, foi uma subida constante, sem muita inclinação, mas que dava um certo medinho porque você a via de longe, uma linha retona subindo no horizonte, sem fim... e uma montoeira de gente tostando embaixo do sol. Perto do final da subida eu voltei a alcançar o Zizi e já percebi que a prova ia ser dura pra ele, tava sofrendo o coitado. Ele e muita gente sentiam o sol ardido.

Renato Izidoro - Zizi

Naquele ritmo eu andava bem. E assim foi durante toda a ponte. A descida do vão central foi ótima, inclusive. Quando a ponte propriamente dita terminou e virou o elevado da Perimetral, contornando o cais é que começaram os problemas para mim. Eu não estava exatamente sentindo o calor, mas comecei a sofrer de cólicas intestinais. Acelerava bpm, apareciam as cólicas. Depois de um certo tempo, desapareciam, mas aquilo foi me minando e tirando as forças, psicológicas inclusive, por conta da minha sinusite. Será que era o meu corpo dizendo pare? Será que eu vou terminar? Mas tirando as cólicas, me sentia muito bem, com um pouco de limitação orgânica mesmo, fraqueze por causa da sinusite. Administraria com facilidade esse ritmo até o final, mas as cólicas vinham e iam. E eu acelerava e freava, de acordo com as dores e a vontade de abaixar a bermuda ali na frente de todo mundo mesmo e me aliviar... acho que muita gente gostou que eu não tenha feito isso.


Após uma trégua boa desde o 17º km, as cólicas vieram forte no 19º km. Ouso dizer que ali eu estava quase cagando e andando. Trotei, mais impulsionado pela vontade de chegar a um banheiro do que outra coisa. Depois do viaduto do Santos Dumont elas diminuíram, faltavam menos de 500 metros, mas eu nem arrisquei sprintar pra elas voltarem. Fui no trote, sem provocar o meu intestino. Cheguei com 2h08, um tempo ruim, mas interessante porque eu simplesmente não estava cansado. 

O grande momento da prova, após a chegada!!!
Durante a prova, talvez concentrado em meus problemas intestinos, não percebi algumas coisas da prova. Muita gente reclamou de falta de água no 12ºkm, onde só tinha isotônico, ou seja, não dava pra jogar na cabeça, e no 15º km, onde foi feita a distribuição de gel. Pelo que me lembre, tinha água logo depois, mas o pessoal reclamou... sei lá. Só sei que não senti falta de nada. E  a chegada, outro problema: os ônibus guarda-volumes simplesmente não chegavam. Só chegaram 2h30 depois da largada, acho que por causa do óbvio e previsível tráfego na ponte. 

Bom, o sol e o calor eu já esperava, sabia que iriam ser duros. E foram mesmo, mas lidei bem com isso, até porque corri num ritmo abaixo do limite, então o radiador não ferveu, não deu overheating. Mas acho que muita gente superaqueceu, tava quente mesmo. O que eu sei é que se não fossem as malditas cólicas, terminaria tranquilo abaixo de 02h00. Não seria prova pra baixar tempo de meia-maratona (até porque não é meia), mas se eu estivesse inteiro, talvez até desse pra brincar bem perto de 1h50. Só que de "se" a vida está cheia. O que eu sei é que fechei com 2h08 2h06m55s (tempo líquido oficial, 5min55s/km), inteiro, e depois de visitar o caminhãozinho da foto acima, diria que nem parece que eu corri hoje...

Portanto, mais 21,4km pra contabilidade. De Mizuno Nirvana, que só teve o problema de ser preto (esquentou bem...)

domingo, 10 de abril de 2011

Retorno de Portugal

Voltei na terça e gostaria de ter treinado na terça-feira mesmo, pra tirar um pouco das toxinas, mas preferi ir para a minha casa, mostrar as fotos e contar histórias da viagem para minha esposa. Cheguei em casa e... cadê ela? Tinha curso... devia ter ido treinar, saco!!

Acabei treinando só na quinta mesmo. E foi um treco meio maluco. Tiro na rampa da Bienal. Mas tiro mesmo, velocidade pura em subida. O treino inventado pelo Diego foi o seguinte: 1km de aquecimento, 2,5km de rodagem leve, e primeira série de 5 tiros na rampa da Bienal, na qual a gente teria 3 minutos para fazer cada tiro: se terminarmos em 1 minuto, descansaríamos os outros 2 minutos, se terminarmos em 2min30, descansaríamos apenas 30 segundos. Foi um treco absolutamente maluco, dada a largada a cavalaria saía subindo as rampas da Bienal que nem uns malucos. Sempre o Hugo na frente, seguidos de uma disputa pessoal entre Fred e Neto, acompanhados de perto por mim, pelo Cassiano, pela Priscila, etc... treino bom pra quem tem explosão pura. Depois dessa primeira série, uma outra rodada de 1,5 km e mais 5 tiros. Quebrei fragorosamente no último, quando tentava chegar em primeiro lá em cima pela primeira vez, tentei acompanhar o ritmo da Priscila e quase infartei... depois disso, uma rodagem final de 2,5km. No total, uns 09km somando tudo, estreando o Minuzo Nirvana novo.

No sábado, um longo que prometia ser duro, com o cansaço acumulado da viagem. Mas surpreendentemente fui bem. Era um treino de 03 horas, com camel back, e diversas subidas da Biologia. Tive que sair mais cedo, então comecei o treino mais cedo. Quando os colegas de treino iniciaram (Jacó, Edith, Fred, Alê e Cassiano) já estava com 48 minutos rodados, mas consegui fazer 3 das 4 biologias com eles. No final da 3ª biologia eles continuaram em direção à Física e eu emendei uma 4ª biologia pra ir embora. Foram 27 km em 2h53, e saí bem inteiro do treino. Saucony Glide nos pés
No domingo, um curtinho rodado de 1 hora. Aproveitei para estrear o novo tênis trilheiro, North Face Prophecy II. Um tênis confortável, solado Vibram que parece ter muito grip, mas que também é bastante rígido e um pouco pesado. No limite entre um tênis de corrida em trilha e um tênis da caminhada. Mas rodei tranquilo com ele, 10km em 56min.

Mais fotos dos Trilhos do Almourol

Como estas foram tiradas por outras pessoas, eu apareço melhor!







terça-feira, 5 de abril de 2011

Trilhos do Almourol - 39k

Trilhos do Almourol. 39km. Achei que seria uma leve prova rural, com alguns percalços mas sem um grande nível de dificuldade Enganei-me profundamente, foi das provas mais complexas que eu já fiz, até mesmo porque meu nível de preparação física atual não é o ideal. Além disso, os dois dias em que me pus a fazer turismo no Porto não foram exatamente o que se recomenda como prévia de uma prova longa.

Após o turismo portense, peguei um trem ou comboio, como eles dizem em Portugal e fui até a cidade de Entroncamento, a 2 horas de lá. Uma cidade que é o que é por conta das ferrovias, aparentemente. Pequena, cerca de 20 mil habitantes, sem grandes atrativos na cidade em si, mas que é um importante hub ferroviário no centro de Portugal. É lá que se sedia o CLAC, que organiza a prova, e é lá onde peguei o meu kit no sábado, no Pavilhão Municipal de Desportos, um bom ginásio. A prova, apesar de muito simples e pequena, contou com patrocínio da Asics e algumas outras empresas da região e teve até uma feirinha. Com o ginásio, a infraestrutura da organização foi bastante facilitada, apesar de um clima de festa entre amigos, distante dos megaeventos esportivos que por aí grassam.
Às 08h30 da manhã do domingo partiriam os ônibus (ou autocarros como eles dizem em Portugal) para a largada em Aldeia do Mato, uma vilazinha pequenina. Para a prova maior, dos trilhos, constavam 242 inscritos, mas não sei quantos efetivamente largaram. Sei que fomos em 5 ônibus. Ao mesmo tempo, o pessoal dos Mini-Trilhos (21 km) ia para outro lugar, já no meio do caminho de nossa prova de 39 km, o mesmo acontecendo com os caminhantes. 


Era um clima diferente, de camaradagem, parecia que todos ali se conheciam. Eu encontrei alguns laranjas no caminho, da equipe Run 4 Fun de Lisboa (que nada tem que ver com qualquer equipe homônima aqui do Brasil!) que estavam lá como eu, para participar, ver qual a encrenca nos esperava e tirar algumas fotos da paisagem. Todos maratonistas já experimentados, à busca de outras emoções na corrida.

Esquerda pra direita: João Ralha, Teodoro Trindade, Luisa Ralha e Miguel San-Payo, os Run4Fun.
No Porto, nos dias de passeio, estava um clima até quente para correr, com muito sol e céu azul. Mas na hora da prova estava bastante frio, especialmente de manhã. Uns 08 graus, melhor para correr. Como não choveu, menos problemas com poças de barro e lama. Meu tornozelo torcido agradecia. 

Início da prova, já com uma subidinha pra aquecer o corpo
Um contratempo antes da largada foi meu Garmin que simplesmente se recusou a se ligar no hotel, quando me vestia para a prova. O mais intrigante é que chegando em casa, no Brasil, ligou de primeira... mas esse não foi o único. O outro problema foi mais grave e me ocorreu logo no começo de prova. O cordão do meu tênis direito se rompeu. Os tênis da Salomon usam um sistema de amarração muito prático, onde você precisa apenas puxar o cordão e prendê-lo na posição, com uma presilha. O problema é que quando ele se rompe, já era. Foi o que aconteceu comigo com uns 2, 3 quilômetros de prova. Sem o cadarço, o tênis ficou totalmente solto no pé e sem nenhuma estabilidade. Torcia para que o terreno não fosse muito ruim, senão estaria fodido.

Pois então, rapidamente percebi que estava fodido. O começo da prova foi bastante duro, mas ali, ao menos, tínhamos energia de sobra. Mesmo assim, passei no primeiro posto de abastecimento, no 5º km, com quase 40 minutos. Um sobe e desce danado, em trilhas de single track, mato baixo, mato alto, pedras. Só não tinha lama, mas o piso era sempre irregular. O meu tornozelo esquerdo torcido não gostava muito. Ele está num estágio em que não dói para nada quando corro, exceto se piso numa superfície torta lateralmente. E para tristeza do meu tornozelo, acho que durante a corrida toda não tivemos mais do que uns 3 trechos de piso liso lateralmente...


As paisagens, no entanto, eram lindas. E a corrida foi muito variada, dentro dessa nossa vida "no meio do mato". Teve até trecho no asfalto!!

Abastecimento no km 14, num raro trecho asfaltado
Aqui, a ponte estava ótima, mas haviam outras bem mais precárias no caminho...

Apesar de boa sinalização, o negócio de correr o tempo inteiro olhando para onde pisa, ainda mais com um tênis frouxo num pé e um outro torcido, me fizeram perder o caminho algumas vezes. A pior foi um pouco antes desse abastecimento, quando segui reto numa trilha e levei dois coitados comigo... parei para beber água e eles foram. Como vínhamos num grupo razoável, esperei os outros que simplesmente não vieram. Aí percebi que há muito não via as fitinhas identificadoras e voltei. E achei o caminho à esquerda, numa saidinha  em descida logo depois de uma pinguelinha de madeira... quase 2 km a mais entre idas e vindas!

Não tinha passado nem metade da prova e eu já estava exausto. As subidas eram íngremes, e me doíam as panturrilhas, mas as descidas eram piores, também porque sempre fui cagão em descidas, ainda mais com um tênis solto. Mas o que fazer? A prova teve momentos como um mini-rapel, numa descida de barranco onde havia uma corda para que descêssemos na horizontal, ou um belo trecho de lama em que para nos poupar da sujeira, os organizadores colocaram umas plataformas de step... duro era ficar de pé naquele treco liso cheio de lama!

Quando já duvidava da minha capacidade de terminar a prova no tempo-limite, eis que surge o glorioso Castelo do Almourol, belíssimo, em uma ilhota no meio do Tejo, com alguns visitantes de caiaque, outros em trajes civis, não entendendo direito de onde vinham aqueles seres sujos saídos do meio do mato.


Mas eu me arrastava, morto... o pessoal que ali montara um posto de abastecimento, assegurava que eram só mais 13 km a percorrer. E que o pior, o trecho mais técnico, já tinha passado. Era verdade. O problema é que eu não tinha mais pernas nem para correr no plano. E apesar do pior já ter passado, de vez em quando havia alguma "diversão" no caminho. 

Tá vendo os pontinhos pretos lá em cima? O de azul, tranquilo, é da organização da prova.
Fora os outros momentos em que me perdi na prova... pelo menos foi rápido e num deles, no meio de uma cidade (acho que Constància), os próprios organizadores me viram e chamaram a minha atenção para o meu erro. Mas o momento mais complicado foi logo depois do último abastecimento, quando finalmente o corredor vassoura da organização trouxe o último colocado, Mario Lima. Parti rápido do posto tentando ganhar alguma coisinha mínima de tempo, mas quando errei mais um caminho, desconcentrado tentando correr com algum ritmo, me vi em último lugar na prova! Nunca fui lá um grande corredor, mas em último? 

Já estava conformado, pensando no tempo que tinha "perdido" tirando fotos, quando o Mario errou um caminho na descida (talvez pelo mesmo motivo que eu). Percebi e avisei o Vassoura, que o chamou e ficou a esperá-lo. Ganhei um último fôlego e corri, manquitolei, fui de algum jeito tentando me arrastar o mais rápido... até alcancei o antepenúltimo, Antonio Franco, mas como já não via o Mario atrás de mim, fui seguindo-o sem muita pressa (ele também parecia estar sem pressa naquele momento...) até chegarmos, fi-nal-men-te! 6h17m59s no tempo oficial.

Penúltimo... puxa... conformei-me um pouco quando soube que o Antonio Franco, era um maratonista muito melhor do que eu, na faixa de 3h35m, assim como seu colega, ante-antepenultimo, Carlos Maia, ambos do Porto.

Da esquerda pra direita: Mario Lima, o "Vassoura" da organização, Antonio Franco, Carlos Maia e eu.
Mas essa é a segunda prova na Europa onde não ganho uma medalha. Aqui o prêmio pela participação era uma... cumbuca! Simpático e diferente. Parabéns para o CLAC, para o Brito e pra todos da organização. Uma prova dura, mas longe de ser impossível. E bela, recomendo-a para quem gosta de corridas longas, mas não-extenuantes (apesar de eu ter ficado extenuado!)