terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pós-ultra

Ok, não estou dolorido, mas as pernas estão pesadíssimas. A gente (eu, Fred e Edith) rodamos 09km, conversando, mas não foi exatamente leve, especialmente porque inventaram de dar um sprint no final... aiaiaiai!! 55 minutos num Structure Triax velho

Como eu vou fazer a ASRD??

Ultramaratona 24hs Campinas - Revezamento

Pois é, esse seria um ano de descanso. Ano passado puxei muito, então neste eu recarregaria as baterias. É exatamente por isso que eu fui pra Campinas para a segunda ultra do ano e a quarta corrida longa... belo descanso!

A idéia foi do Diego. Mas o fominha só avisou a gente em cima da hora e inscrição solo, só pra ele. Pra gente sobrou dois quartetos, ou seja oito loucos em graus diversificados de insanidade. Paulinho Lacerda, Alaelson, Alê e Edith formariam o quarteto forte, pra brigar por posições. Eu, Fred, Jeane e o Guedes viríamos mais na diversão, sem responsabilidade, até mesmo porque até a última hora a gente não sabia se o Guedes iria mesmo. Machucado, sem treinar há um mês, com canelite, acho que não seria exatamente recomendável uma volta numa ultra. Mas o Diego o convenceu, num ritmo mais lento, caminhando, sem forçar.

Bom, a prova foi no Parque Taquaral, e a gente montou as barracas meio longe da pista, um ponto bom e ruim ao mesmo tempo. Bom por ficar mais longe da muvuca, ter mais tranquilidade nas horas de sono, etc. Ruim porque ficaria longe para buscar coisas, etc. E por isso acabamos montando uma "base avançada" consistente na minha barraquinha, à beira da pista, onde pudemos colocar alguns mantimentos e cadeiras. Na base principal ficaram as coisas e a Tati, fazendo apoio fisioterápico para nós e para a Top Notch. A Hayla ficou com o Branca.
O cafofo avançado e o Guedes em posição de alerta
Sergio Xavier da Runner´s World estava lá para cobrir a prova, a convite do também gremista Jaiminho Rocha, um dos favoritos. Algumas equipes de filmagem, vários fotógrafos... uma boa cobertura da mídia para uma prova com altíssimo nível: Márcio Villar, da Guia, Paulo Fonseca, Farinazzo, Jaiminho, Vanderlei, Ivan Espírito Santo, Adão, Ligeirinho, Agnaldo, Roberto Tadao, Daniel Meyer, só fera! Isso pra não falar em gente como o Branca, o Jorge Cerqueira, Nilton Kuriyama, Roberto Gon, Alberto Peixoto, etc...

O circuito de 2.725m contorna o lago do Taquaral, em um piso de terra batida, com algumas pedrinhas em alguns pontos e predominantemente plano. As subidas e descidas existentes eram super discretas, muito embora se tornassem verdadeiros Everests com o passar das horas. Mas o principal desafio era o sol e o calor... o termômetro que ficava na frente da largada chegou a bater 43º!!! Lógico que essa temperatura não era real, mas a sensação térmica... pelo menos o percurso tinha muita sombra, mas o calor pegou feio.

Larguei pela minha equipe e nessa condição de revezante tive a oportunidade única de ultrapassar praticamente todos os grandes ultramaratonistas presentes no solo. Só os outros caras mais rápidos do revezamento estavam na minha frente. Nossa idéia era que eu e o Fred fizéssemos 3 voltas sob o sol. A Jeane faria duas e o Guedes, uma só. Na outra Trilopez o Paulinho Lacerda e o Alaelson disparariam com 3 voltas e Edith e Alê com 2. Essas estratégias se alterariam durante a prova, de acordo com o sol se pondo e as condições físicas de cada um.

A Trilopez top logo passou à frente, disputando com a equipe mais forte da D-Run, que contava com uns corredores impressionantes. Destaque para a Cintya, passava fazendo vento! Outra corredora impressionante era a Fernanda, fazendo solo, mas aí o motivo era outro... a coitada torceu o tornozelo e não faltou marmanjo querendo ajudar...

Eu fiz duas primeiras séries um pouco mais fortes (8,1k em 44, 45 min) e acabei me sentindo meio mal com o calor. Nas outras, o meu ritmo caiu, assim como dos colegas. O calor era inclemente e muita gente quebrou por isso. Mas quando a noite caiu eu me senti melhor. A musculatura já tava meia-boca, mas a sensação física era bem melhor. Naquele momento a gente já estava estabilizado na 11ª posição e ali ficaríamos o resto da prova. Na tenda, a Tati parecia ter feito o dobro de nossa quilometragem, de tanta massagem que já tinha feito. E eu resolvi experimentar a massagem da organização, não só por dó da Tati,  mas também para saber se era de boa qualidade. E era!! Muito boa!!
Relaxando na massagem...
Aliás, sobre a organização, não faltaram boas intenções. O sistema de e-mails e mensagens para os atletas pela internet não funcionou. Algumas pessoas reclamaram da falta de hidratação do outro lado do parque após cair a noite, mas eu sinceramente não senti falta, a volta de 2,724km não era tão grande assim a ponto de ser absurda a distância a se percorrer para ter água. Não faltou gatorade, mas faltou Pepsi. Eu não percebi, mas parece que era Pepsi light, o que é absolutamente equivocado, se considerarmos que um dos grandes benefícios do refrigerante é o açúcar disponível imediatamente. A comida estava boa, mas em porções pequenas: macarrão instantâneo Cup Noodles, purê de batata, lanches, café, chocolate quente, gatorade... e o santo picolé que me salvou vááááárias vezes!!!!!! E eu ainda comi minhas próprias comidinhas, batata frita e o super energético do Timão!

Hayla rambém è da Fiel!!
Em compensação os banheiros mereceriam uma limpeza mais constante. O parque não foi, obviamente, fechado para a prova, então havia o acúmulo de uso dos visitantes do parque e dos atletas. Os banheiros químicos destacados para os atletas não estavvam em melhores condições. O banho era frio, o que não foi tão ruim para um dia tão quente. No entanto, ao cair a noite, a temperatura baixou para 18º e eu cheguei a passar frio nos momentos em que esperava para correr.

Eu dormi, no máximo, 20 minutos. 10 deitado no banco do parque, como mendigo. Outros 10 dormindo no chão, do lado da barraca... e quando o sol raiou, ainda faltando 4 horas para o final da prova, o ritmo acelerou. Ali, já dava pra ver que a corrida tinha ficado entre o Jaiminho, o Ivan e o Vanderson. Adão e Tadao ainda vinham forte, mas tiveram que diminuir no final. Nos quartetos, a Trilopez não conseguiu segurar o ritmo da Cintya e do baixinho que corria pra diabo e ficou em segundo, administrando a aproximação da equipe Cuca.
O pior de tudo é que eu não consegui dormir aí!
E eu que abri a prova pra equipe, também a fechei, com 25 voltas, ou seja, cerca de 68km. A Trilopez A abiscoitou o 2º posto mesmo e o Ivan levou a prova no solo (215k), com o Jaiminho em segundo (207k), totalmente zumbi. O Diego cumpriu a meta de superar o resultado do RJ e fez 142km, levando pódio na categoria (2º, nos 35 a 39 anos)A surpresa foi ver que o Vanderlei, bicampeão das 24 hs do RJ, fez menos de 100km, assim como o Paulo Fonseca, vencedor de Bertioga-Maresias. Farinazzo, campeão da Badwater também ficou bem para trás. Márcio Villar e Agnaldo estavam lá para apoiar seus atletas e também não registraram grandes marcas.

Alaélson, Edith e eu. Amanheceu e a alegria voltou!

Entre as mulheres, Maria Cláudia, conhecidíssima em provas mais curtas, detonou e venceu a disputa com a Jaque Terto e a Naoko. A Carla, da equipe do Marcio Villar veio em 4º e a impressionante Maria Bernardino em 5º.

A prova foi muito legal. O Guedes se superou, correu boa parte do tempo. A maluca da Jeane tava na 23ª hora rodando sua volta mais forte. O Fred segurou o rojão de rodar mais junto comigo. E eu terminei bem. Após o 30º km tive uma dor chatíssima no joelho e tive que fazer os outros 38 kms meio no sacrifício, mas alguns remedinhos e os descansos me permitiram terminar inteiro. Tanto que as dores musculares pós-provas foram infinitamente menores do que esparava. Mais importante que o 11º lugar ou rodar 68km em cerca de 7 horas (30k de Saucony Glide, 38 de Nike Structure Triax), numa média de praticamente 6min/km, foi a convivência com os colegas, foi a curtição da prova.

Duro é convencer a Alessandra de que a corrida é legal...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Polindo e encerando

Polimento é aquele treino que a gente faz quando falta pouco para uma prova que é nosso objetivo. Quando a gente chega no polimento, a gente já treinou tudo o que dava pra treinar. O que tinha que crescer já cresceu, o que tinha que desenvolver, já desenvolveu. O polimento é a hora onde a gente simplesmente se mantém no movimento e só dá aquele acabamento final, aquela lustrada na peça. O treino é curto, não pode desgastar. Mas também não pode ser molenga, sob pena de nos tornar molengas também. Tem que se mexer com vontade. A gente treina velocidade, mas de forma controlada pra evitar lesão. Treina o movimento, a técnica. É a cereja do bolo.

Pelo polimento, tô tranquilo. Hoje foram 3 tiros de 400m seguidos de 800m de recuperação na pista de cooper. E mais 3 tiros de 300m, com 700m de recuperação na volta de 1km. Os tiros, curtos, deveriam ser velozes. Apesar de minhas limitações ainda existentes na bunda, percebi que consigo ser rápido nesse estímulo curto. E que a recuperação vinha bem. Me sinto legal pra prova. Até porque a expectativa hoje não era de grande coisa no treino, já que vim de um dia ultramegadesgastante ontem, com viagem praticamente inútil a Londrina, um dia inteiro fora, e uma noite meio curta pra me recuperar. 

Mas foi. 

Com todos tiros, deslocamentos e aquecimentos, devo ter rodado uns 9k. Com o Nike Free. Sem desgaste e com confiança.

sábado, 20 de novembro de 2010

Sintonia fina pra Ultra 24hs de Campinas

Ok, pelo jeito, apesar da dor na bunda continuar, ainda que mais leve, o meu estado atlético está bom. Hoje foi o último longo antes da prova. Um longuinho de só 16km, no Ibirapuera, sob um solzinho razoável. 4 voltas de 3km no Ibira e 4 rampas da Bienal a cada volta. Pelo GPS deu 16km (Nike Structure Triax novo), mas ele ficou meio maluco na medição daquele vai-vem no coberto. De qualquer modo, várias rampas da Bienal com aquela inclinação compensa qualquer 100 metros a menos no total... arre!!

No plano, correndo a 5min30/km com folga e a 5min15/km com um esforço controlado e tranquilo. E olha que hoje foi quase impossível acordar, dormi pouco e mal, cheguei no treino me sentindo cansado. 

As feras estão soltas hoje... Jaiminho Rocha, Lucina Ratinho, Rafael Bonatto... até o Sérgio Xavier da Runner`s apareceu por lá, já que a USP tá fechada por causa do feriado. Todo mundo se preparando para a Ultra... mas quem não apareceu foram os meus colegas de treino... corri sozinho o tempo inteiro, já que quem tava lá ou eram caras muito mais rápidos ou muito mais lentos.

Site da Ultramaratona de Campinas: http://www.ultrarunnereventos.net. Lá da pra mandar e-mails de incentivo aos malucos durante a prova...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A guerra dos estagiários

Os estagiários da minha sala estão em pé de guerra, uns com os outros. E quem se fode sou eu, já que agora uma parte preciosa do meu escasso tempo tem sido destacada para tentar gerenciar, dentro do possível, esses conflitos. Saco! Isso significa que hoje cheguei atrasado no treino.

Bom, mas de qualquer forma o treino foi curto e bom. 3 séries de tiros compostos por um de 1,5km em ritmo médio, pausa de 30 segundos e um tiro de 1km forte. Descansa 2 minutos e comça de novo. Apesar da buttache, os resultados foram bons. 6m52 e 4m04 no primeiro, 6m58 e 3m38 no segundo e 7m02 e 3m57 no terceiro. O que me impressionou foi o segundo tiro rápido, um dos mais velozes que eu já fiz, mesmo com a dor no glúteo. 8,5km pra conta (1 km de aquecimento), usando um Nike Structure velho e mais confiança na bunda, que ainda incomoda quando fico muito tempo sentado ou quando a Tati passa uns alongamentos doídos...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A vítima do tempo

Meu nariz odeia mudanças bruscas de temperatura. Passei o final de semana com rinite, sinusite e aquela moleza que 38 espirros seguidos dão no corpo de qualquer um. E apesar de ter melhorado um pouco, senti hoje ao tentar treinar na esteira (as nuvens tavam tão escuras em cima do Ibirapuera que eu confesso que tive medo de ir pra lá). Rodei míseros 5 km e parei me sentindo combalido e quebrado. Deixa pra lá mesmo, o dia no trampo também já tinha me cansado o suficiente e ainda tem a noite, com processos canibais devorando toda a minha alma, aqui em casa...

sábado, 13 de novembro de 2010

No fundo

A dor na bunda, que eu não sei ainda o que é, felizmente não atrapalha na hora de correr. Ao menos nas minhas corridas, que são as provas de fundo e endurance. Porque dói somente quando eu alargo muito a passada, o que só rola na hora de acelerar forte. E quem disse que eu preciso dar um sprint atualmente? 

Daí porque hoje, na USP, foram 22km bem-feitos, sem forçar, sem me desgastar, em 2h14m, conversando com o Fred Bem, um dos companheiros de revezamento nas 24hs de Campinas. Nosso ritmo é muito parecido (ele tem um tempo de meia um pouquinho melhor que o meu, mas eu fiquei um pouquinho na frente dele nas 6hs de SBC). Com o já velho Saucony Glide.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Brincando de correr

Na quinta, impossível chegar no Ibirapuera. Impossível me locomover pela Bela Vista ou 23 de maio. Tudo parado. Perdi o horário, saída pela esquerda e resolvi treinar na academia, até porque tô só na rodagem, testando a bunda dolorida. Lá na academia eu treino com os amigos Carmona e Jorge Iran, e a sua assessoria JVC. Apesar de eu não ser da JVC, dou a maior força a eles, além do fato de os treinos serem abertos aos alunos da academia, como eu.

E com eles eu brinco de correr. Não tenho a auto-cobrança de fazer treinos de qualidade da minha planilha. Como o nível técnico do pessoal lá também é em média mais baixo (em média, porque tem uns furacões lá, como o Jonas, monstro!), já que é maior o número de corredores iniciantes ou eventuais, também não me forço na corrida. E nessa brincadeira, rodei 7,5km, de Nike Structure Triax novo, alternando ritmo, fazendo um fartlekzinho, puxando alguns corredores... relexado, sem forçar. Foi legal e ainda botei a conversa em dia com os dois, até mesmo porque o Jorginho estreou em ultras na Bertioga-Maresias e tinha muita coisa pra contar e surtar...

Por fim, o registro da série de musculação na sexta, que foi um pouco prejudicada pela lesão. Não consigo fazer cadeira flexora e o leg press tá incomodando também. Talvez a flexora tenha que ser de pé. De qualquer modo, a musculação, agora, é mais manutenção do que construção, então... no stress.

Agora, que coisa esse clima, hein? Na terça, o inferno. Quase 30 graus à noite! Na quinta, 14 graus, garoa, frio...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Não tá tão ruim

Cheguei a cogitar desistir das 24hs de campinas devido à minha dor bundal, que não passa. Dói pouco, é praticamente um incômodo, exceto em alguns movimentos bruscos, mas mesmo nestes a dor é leve. Só que o negócio é constante. E não muda a intensidade, não parece estar sarando. Mesmo com alongamento e massagem, continuava igual. Mas o retorno hoje aos treinos, como um verdadeiro treino-teste, serviu para aplacara alguns medos. 

Fui rodar no parque. Atrasado, com umas dores de cabeça tremendas no trabalho na Prefeitura (a chateação é pelo fato desses enroscos atrapalharem ir treinar, já que eu não dou a mínima para esse tipo de coisa, só resolvo por mero senso de responsabilidade e para me livrar logo), descobri que teria que fazer um 10k. Será que daria? A dorzinha incomodou no começo, a perna está meio travada, não consigo ter amplitude na passada, mas de 1 a 10 em escala crescente, a dor se manteve a maior parte do tempo no 1 e com raros picos de 3. Não sei quanto tempo eu levei nessa rodagem, mas estimo uns 56 minutos, em um ritmo ameno, meio temeroso. Usei o Nike Free, levinho...

O fato é que depois da corrida a dor melhorou. Não sei se é porque aqueceu o músculo, muito embora eu já esteja agora frio e mesmo assim com a mesma intensidade baixa. Sumiu? Não, tá lá ainda. Mas tá até mais leve do que antes. Gosto de dizer que corrida cura tudo, mas será que vai ser assim até com essa porcaria de lesãozinha? Tomara.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Maratona de Nova York

Um dia eu vou estar lá. Por enquanto, me contento em assisitr. Que festa, hein?? O pessoal veste a camisa da cidade nesse dia!! O que o Fred Lebow conseguiu é realmente algo impressionante!! 

E mais uma prova pra ficar para a história. No feminino, as americanas chegaram muito perto de acabar com o jejum, com a medalhista olìmpica dos 10.000m, Shalane Flanagan. No masculino, a surpresa etíope Gebre Gebremariam e sua touquinha creme, depois de uma desgarrada no km 25 que desmontou o pelotão e deixou a maior parte dos favoritos pra trás. Meb, Haile, Marilson (que foi um dos que aguentaram mais), Ritz... ficaram pra trás, deixando a corrida nas mãos, ou melhor, nos pés de Mutai, Gebre, Kwambai ou Boumrandane. O etíope sustentou o ritmo e, mesmo estreando em maratonas, venceu com 2h08. 

O início da transmissão foi interessante: O Iberê e o Sergio Xavier, da Runner`s World, montaram uma transmissão improvisada por twitcam e foi bem legal. Longe da falta de brilho da transmissão oficial da Sportv, que fez diversas merdas, como cortar toda hora para mostrar brasileiros em eventos não tão importantes, o fato é que os dois falando diante de uma webcam de laptop foram muito melhor do que narradores e comentaristas oficiais da rede de televisão. Só não deu pra assistir até o fim porque tive que ir para a casa dos meus pais e assisti o resto da corrida por vias "oficiais", para meu desprazer.

Outra nota é a aposentadoria do gênio. Haile Gebrsselassie, que abandonou no 25, anunciou a aposentaria aos 37 anos. Um monstro, um Pelé das corridas, recordista mundial inúmeras vezes dos 5.000m, 10.000m e até hoje, da Maratona!! E um homem que sorri o tempo inteiro, que soube fazer marketing sem parecer falso ou montagem. Agora é a hora de novos gigantes do atletismo, mas vai ser muito difìcil conseguir fazer o que o Haile fez!!!

sábado, 6 de novembro de 2010

A parada obrigatória

A idéia, evidentemente, era voltar aos treinos logo após o retorno das férias na Europa. Mas dois problemas aconteceram: um AVC leve do meu pai, que o levou ao hospital e mudou a rotina, já que eu estou passando as noites por lá, tentando segurar o velho que quer fugir da lá de qualquer jeito, e a dor bundal que me pegou, possivelmente, o piriforme, depois de um desafio ao Usain Bolt. 

Explico: em Barcelona, há um museu olímpico próximo ao Estádio Olímpico de Montjuic. Um museu high-tech, que lembra um pouco o Museu do Futebol do Pacaembu, com alguma memorabilia, mas muita tecnologia em atrações interativas. E uma dessas atrações é um painelzão comprido numa parede onde ficam sendo simulados as projeções dos recordes mundial de salto em altura do Javier Sotomayor (2,45m), o recorde do salto em distância do Bob Beamon (8,90m) e o do Usain Bolt nos 100m rasos (9,77). Por meio de leds, na parede você vê a sombra dos atletas correndo e saltando e projetando o que isso representaria na realidade. Pois bem, lógico que como corredor, eu desafiei o Usain Bolt. Lógico que não deu nem pro cheiro: a sombra dele já tinha terminado a corrida quando eu estava passando a metade... mas o ruim é que durante esse tiro, eu senti uma pontada no glúteo direito. E essa merda tá doendo até agora... não incomoda muito, mas eu não sei como será correr isso. 

Depois que o velho sair do hospital e eu retornar à rotina, o que possivelmente acontecerá a partir da segunda-feira, vamos ver como o piriforme se comporta. Por enquanto, só uma sessão de fisioterapia e nada de melhora efetiva, embora tenha sido bom para soltar outros músculos presos e melhorar o alongamento.

Resumo do mês - Outubro-2010

1 maratona
93,5 km rodados em treinos
2 treinos de musculação

O mês teria sido fraco, não fosse: a) férias; b) recorde pessoal na maratona

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Já que pediram fotos...

Escolher a Maratona de Bilbao como parte do meu calendário misto de corridas e viagens de turismo foi simples: dentro das opções durante as minhas férias, Bilbao surgiu como uma oportunidade que ainda não tinha tido de correr uma maratona noturna. Além disso, eu ainda não conhecia a Espanha e seria uma chance de mergulhar a fundo no país basco, de Guernikas, ETAs e uma língua totalmente diferente, mas com a vantagem de me socorrer do velho e bom espanhol nos momentos de aperto.

De fato, o idioma basco não se parece com nada. Uma mistura de língua do Hopi-Hari com a língua da Xuxa em um sotaque espanhol, mas com palavras absolutamente estranhas. Se em Bilbao as coisas eram mais fáceis, no interior, as placas de sinalização não davam muita chance aos poucos turistas presentes nessa baixa estação. Mas mesmo assim tudo foi muito tranquilo e fácil de entender, já que os museus e monumentos eram bilíngues.


A feira da maratona foi realizada em um pavilhão inflável erguido do lado do Guggenheim, um museu mais bonito por fora do que por dentro. Não tinha muita coisa e os poucos expositores presentes eram grossos demais para ter vontade de comprar qualquer coisa deles.


A própria desanimação da feira e a ausência completa de quaisquer faixas, indicações ou informações sobre a maratona me deixaram meio encucado, achando que seria um eventinho bem mixuruca. Mas, na hora da prova, apesar de o número de competidores não ser tão grande, parecia que a cidade inteira estava lá para ver. A temperatura estava ótima para correr, uns 15 graus, sem vento gelado, uma delícia.

A largada atrasou longos 15 minutos. O locutor falava algumas coisas em basco e eu não entendia nada. Falava em espanhol e eu também não entendia nada, porque falava ou muito rápido, ou cheio de firulas. Mas quando largou, belos fogos de artifício espocaram.

Saí em um ritmo tranquilo, curtindo a prova, já que a preparação tava longe de ser a ideal. Na semana que antecedeu a prova, já em férias, curtindo a Espanha, só corri um dia e foi pra pegar o passaporte que eu teinha esquecido no hotel, item indispensável pra pegar o carro que eu alugara. E a alimentação, então? O prato nacional basco, na verdade, são aperitivos: pintxos, que consistem em uns beliscos com pão, algum embutido e outros quitutes, tudo junto num palitinho. No dia da prova, então... twix e batata frita!


Mas logo o segundo quilômetro já mudava dos 6min/km iniciais para um 5min25/km, tranquilo, sem forçar. Tava correndo fácil e curtindo a prova. Havia muita gente assistindo, mas eles gritavam "benga, benga" pra mim de forma insistente. Ok, gosta quem quer, mas não é a minha praia. Pelo menos percebi que não era nada pessoal e que eles gritavam "benga" pra todo mundo. Depois é que minha irmã esclarece que na verdade era "venga", ou, em português, "venha", para incentivar os atletas. E com a tradicional incapacidade de os espanhóis pronunciarem o nosso "v".

A prova era composta por duas voltas de 21,1km, em um circuito bastante plano e favorável a bons tempos. A cada volta a gente passava umas 3 vezes pelo Guggenheim, tornando mais fácil a vida de quem estava lá para torcer pelos conhecidos. Assim, os maratonistas se cansaram de passar pelo museu. A prova também percorre o casco viejo (Centro histórico) da cidade e o Centro Novo, mais moderno, com avenidas mais largas, e ainda passando em frente ao meu hotel. Mas a parte mais complicada era a perna que saía da cidade e ia até uma cidade próxima. Um trecho reto, deserto e bastante solitário, além de não ser lá muito bonito.

Falando em algo não bonito, uma coisa que chamou muito a atenção na prova foi a presença de dois corredores peladões. Ou quase, já que eles vestiam tênis, meias, relógio e... número. De resto, tudo descoberto.  Achei até que os gritos de "benga" eram pra eles. De qualquer modo, os caras eram muito rápidos, de impressionar. Por volta do km 18 da prova, eles estavam apenas a uns 5 minutos dos quenianos que lideravam a prova. Mas acredito que eles estivessem participando só da meia-maratona, já que não os vi mais. De qualquer forma, o ritmo era também muito forte para um amador em meias-maratonas.


Apesar dos pintxos e bengas à mostra, curti a prova. Eu me senti bem, sempre gostei de correr à noite, coisa de biorritmo. Fiz "hang fives" com praticamente todas as crianças que estava no percurso, correndo feliz, com aquela sensação boa de liberdade que só a corrida te dá. Isso tudo fez com que eu passasse na marca da meia-maratona com  1h54, totalmente tranquilo, com os batimentos em um nível bastante controlado. Já que estava fácil, resolvi arriscar. O pessoal que estava no pelotão das 3h45 estava mais ou menos perto, a uns 6 minutos na minha frente, pelo que medi nas várias idas-e-vindas do percurso. Resolvi buscar. Acelerei o ritmo, passei o homem-aranha e cheguei a tirar uns 2 minutos desse pelotão quando, no km 28, senti a panturrilha beliscar: cãimbra.

Lá na frente, a prova já terminara, com a vitória do queniano Samwell Kalya, com um tempo que pouco significa a nível mundial: 2h19. Foi seguido por outros dois africanos, Benjamim Korir e Joseph Biwott.

Diminuí um pouco o ritmo, mas a perna continuava meio dura e então resolvi administrar pra terminar abaixo de 3h50. Só que, no km 32, cãimbrou de novo. E de novo no 36, desta vez endurecendo a perna de vez. Ali eu parei para alongar e resolvi tentar só baixar o meu recorde pessoal de 3h55. Assim eu toquei o resto da prova, acima de 6min por km, mas totalmente inteiro sob o ponto de vista fisiológico e cardiorrespiratório, para fechar em 3h52min50.




Meu melhor tempo, numa prova para a qual corri bem descompromissado, sem a melhor preparação do mundo, e ainda com a menor quantidade de dores pós-prova que eu já senti. No dia seguinte, seguindo viagem para Zaragoza, estava bem inteiro, um pouco dolorido, mas nada incapacitado. Nem as escadas me davam medo. Perfeito!!!