quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Ultramaratona 24hs Fuzileiros Navais Corpore

A Ultra 24hs foi um negócio absolutamente fora da realidade. Para a maioria dos mortais, um grande desafio era a São Silvestre, que tinha 15km e que uma pessoa comum razoavelmente condicionada faria em umas 02 horas. Imagina correr 12 vezes esse tempo!

Era difícil até de explicar o que é a prova. Muitos ficavam abismado quando eu explicava que era em pista de atletismo, e alguns achavam absurdo um revezamento de 24 hs. Quando eu esclarecia que não era revezamento, que era solo, aí que o pessoal simplesmente se afastava, achava que eu estava louco, surtando...

Os treinos foram duros, dois longos por final de semana, alguns com 08 horas sob o sol,  outros mais curtos, mas em circuito fechado curto, simulando a prova. O pior, mas ao mesmo o que deu mais confiança, foi o do feriado de finados, em que fizemos um treino de 08 horas no sábado, puxado, de cerca de 60k, e depois fomos fazer tiros rápidos intercalados com caminhada na segunda feira, no zerinho do Villa-Lobos, que tem 500m, num treino de 04 horas e que rendeu mais uns 30km. Tava um sol naquele dia, um calor...

Acho que isso foi bom, porque terminamos o treino vivos. E treinar sob o sol seria interessante para nos acostumarmos com o calor previsível do RJ no final de novembro.

A corrida é tão longa que é difícil resumi-la. Basta dizer que começamos sob um céu nublado, sob calor, mas não esturricante, e que predizia uma boa prova. Mas á tarde, abriu um sol terrível, chegamos a uma sensação térmica de 40ºC. Felizmente, a organização da prova foi magistral, tinha tudo. Comida, bebidas e esponjas com muita água para nos refrescar. A tenda de massagem e a piscina de gelo também ajudaram muito. Durante a prova parei 05 vezes para fazer massagens, especialmente nos pés, que doíam muito. E fiz gelo umas 07 vezes.

O ritmo era bem lento, alternando caminhada e corrida, e a corrida era sempre leve. O problema não era aeróbio, mas de resistência muscular. Os bpm não subiam a ponto de gerar lactato. Por isso o que doía eram as estruturas ósseo-articulares, submetidas a esforço constante. Notadamente os pés. Mesmo assim, ia bem, comparando com os colegas de Trilopez. Não sofri tanto quanto imaginava que iria sofrer. Não tive sono de madrugada. Não passei fome e nem tive mal-estar.

A partir de um determinado momento da corrida o objetivo era fechar 100k. Era a motivação, estava cansado, precisava de algo para me mover. Os 100k aconteceram por volta das 5 da madrugada, quando faltavam mais ou menos 05 horas para o término da prova. Aí me dei o luxo de descansar um pouco de verdade. Parei, botei minhas Crocs e fiquei uma hora só olhando o movimento, comendo batata frita... depois encheu o saco e fui conversar com os colegas queestavam na pista, ajudar a Cynthia a alcançar os 100k, tirar fotos.

Nem pensava em classificação. Uma pena, porque se tivesse resistido mais (era difícil, porque não sabia quemera da minha categoria, não sabia como estavam), poderia ter feito mais 25km nas 05 horas restantes, motivado por esse objetivo, e conseguido o 3º lugar na categoria. Os demais corredores da categoria estavam pior do que eu... acabei fazendo, nessa história de tirar fotos e acompanhar os colegas, 107,9km. Foi dentro do que esperava e as condições físicas e mentais de estafa foram até mais tranquilas do que imaginava. O saldo foi positivíssimo, portanto. Gostei da prova, gostei do clima da prova, gostei de conhecer outros colegas do mundo as Ultras. Conheci o Jorge Cerqueira, o Amorim, o Gabbardo, revi o Hideaki, o Alexei, o Losada, a Tomiquinho e tantos outros.

O único problema é que não rolou o Porcão no domingão à noite pós-prova. Tava difícil ir da cama para o banheiro, imaginava se vestir, pegar um taxi, encarar um buffetzinho...


Com o Jorge Cerqueira

Equipe antes, inteira!
 
Largando!
 
Pós-corrida, todo mundo meio morto.

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