quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Maratona de Tartu - 2019

A escolha da Maratona de Taru obedeceu a critérios simples: o primeiro foi a escolha de provas que encaixassem no meu período marcado de férias. Havia uma quantidade razoável de provas, então refinamos a busca por provas que parecessem interessantes. Uma das mais promissoras, próxima a Las Vegas, infelizmente caiu fora porque já tinha esgotado as inscrições. Outra, na Eslováquia, apresentava problemas de estadia, praticamente todos os hotéis já reservados. A partir daí passei a analisar também o fator turismo, excluindo algumas provas que se realizariam em lugares que não me pareceram lá muito interessantes neste momento, e fiquei com algumas opções de escolha: Twin Cities, Portland, Sparkasse (Alemanha, Suíça e Áustria), Lago Ness e Tartu, na Estônia.

EUA eu excluí porque fazia um tempo que eu não ia à Europa. Lago Ness eu excluí porque já conheço o Lago Ness da época em que corri o Drambuie Pursuit. Restaram Sparkasse e Tartu. No final das contas, acabei escolhendo a Estônia por um motivo simples: eu estava sozinho e possivelmente a Estônia é um país para o qual dificilmente conseguiria arrastar a patroa para viajar junto, ao contrário da Europa Ocidental.

Puro desconhecimento dela, lógico, já que a Estônia é um país bastante desenvolvido e amigável a turistas do mundo todo. A língua estoniana é um treco absolutamente incompreensível (pra ter uma ideia, tem parentesco com o húngaro e o finlandês!), mas boa parte da população fala inglês fluentemente. Deslocamento fácil, excelente rede hoteleira, boas atrações turísticas, ótimo desenvolvimento social, apesar de ser uma ex-república soviética, sempre foi a república mais ocidentalizada da URSS (até porque Helsinque fica a menos de 100km pelo mar e por isso sinal de TV e rádio era facilmente captado em Tallin, a capital, sendo um dos "buracos" da Cortina de Ferro). Na verdade, o país não tem nada de exótico, é bastante ocidentalizado, é uma das nações mais avançadas do mundo em termos de tecnologia e tem como pontos fortes a segurança e a limpeza nas ruas. Além disso, os preços não são exorbitantes apesar de adotar o Euro, e não é um lugar superlotado de turistas, apesar de ter essa boa infraestrutura para o turismo.

Tartu é a segunda maior cidade da Estônia e a capital universitária, já que lá foi fundada a primeira universidade do país, ainda na época em que era dominada pelos suecos (também pertenceu aos russos, aos alemães e a eles próprios, lógico). A inscrição na prova foi muito fácil, com site em inglês, preço bom (uns 50 euros) e de tempos em tempos e-mails eram enviados com informações, mostrando que o pessoal lá é bem organizado.

A prova em si, pelo menos na distância da maratona, é pequena, teve pouco mais de 500 participantes. Na meia haviam mais uns 1250 participantes, que se misturavam com os maratonistas no trecho final, já que largavam um pouco mais tarde. E os 10km, corridos à tarde, tiveram 1750 atletas, somando cerca de 3500 atletas no evento todo. Bastante, se considerar que a cidade tem cerca de 90 mil habitantes (quase 4% da população). Na proporção, é como se um evento de corrida em São Paulo tivesse 45 mil atletas. E é uma prova internacional, tinha letões, lituanos, russos, finlandeses, bielorussos, franceses, chineses, ingleses, um catariano, um espanhol, um indonésio e eu.

Apesar de proporcionalmente grande, é uma prova pequena em tamanho. Retirada do kit em umas barracas (aquecidas) montadas no centro da cidade, kit apenas com número (com chip) e propaganda. Na noite de sexta-feira que antecede a prova rolou uma corrida noturna de uns 6km que parecia ser bem bacana, mas eu não corri, preferi ficar no quentinho comendo um schnitzel e bebendo uma cervejinha.

Com tanto frio, a prova não precisa largar muito cedo. Marcada para 09h30, eu saí do hotel 09h20, cheguei na Arena umas 09h23 e não tinha ninguém na linha de largada, todo mundo estava no banheiro ou se aquecendo. De fato, ficar parado não era uma opção a 0ºC. Faltando uns 3 minutos, a organização puxou aquele tradicional aquecimento/alongamento, a largada encheu rapidinho (não tinha muito problema numa multidão de 500 pessoas) e partimos exatamente às 09h30. Vale observar que apesar de ter pouca gente, haviam baias para separar os corredores mais rápidos dos mais lentos!!

Considerando o ciclo horrível de treinamento que fiz para essa prova (com caganeira e laringite no meio), larguei colando no marcador de ritmo das 04h00 (sim, 500 atletas e tinha marcador de ritmo) e fiquei com esse pelotão até mais ou menos o km20. No começo senti muita dificuldade porque tava difícil aquecer e respirar, mas depois de um tempo foi tranquilo. O pacer era um reloginho, ritmo certinho o tempo inteiro. Como a cada posto de hidratação o pelotão zoava um pouco a distribuição de água, resolvi ultrapassá-los para pegar água e isotõnico com sossego a partir do km 20. Só que comecei a abrir bem lentamente do pelotão.

Correr no pelotão era bem agradável porque ele te protegia do vento frio. Sozinho eu estava mais exposto ao frio. Só que justamente nessa parte da prova, ela entrava em um parque com pouco vento e com o sol brilhando, tornando a corrida bem agradável. A partir do km 30 mais ou menos, passamos a ter a companhia dos meio-maratonistas (eu não sei direito em que ponto, mas comecei a perceber que tinha mais gente na prova) e aí passou a solidão. Também a partir desse ponto, a prova reentrou numa região mais central, mais povoada e com isso havia mais público incentivando.

Sim, publico incentivando num calor de uns 2ºC na rua!! Lógico que para eles isso deve ser tranquilo e lógico que também não era uma multidão a cada esquina como nas majors. Mas era bem agradável e tinha mais gente do que na maior parte das provas de São Paulo! 

No final da prova, algumas subidas e descidas na parte mais antiga da cidade e uma chegada com tapete vermelho! Não só para dar as boas-vindas aos maratonistas, mas também porque a rua da chegada é calçada com pedras grandes e antigas, bem desniveladas, e o tapete ajuda a nivelar um pouco o piso.

3h54m54s. Bom tempo para um ciclo tão ruim. Prova progressiva, terminei inteiro, sprintando no final, e com poucas dores pós-prova. Correr numa temperatura bem baixa ajudou bastante no desgaste, embora tenha me dificultado um pouco no começo da prova. A cerveja no final tava bem mais quente que a temperatura ambiente e confesso que, apesar de parecer um chá por causa disso (e por ser sem álcool), desceu muito bem. A prova é bem organizadinha, redondinha, não tem luxos mas teve camiseta de finisher, certificado impresso na hora e uma medalha bem bonita, cujo único problema é não distinguir os maratonistas dos meio-maratonistas. Valeu a experiência!!





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