domingo, 1 de novembro de 2020

Corrida do Protocolo 2020 - A volta?

Em março o mundo fechou. E as corridas de rua também.

No Brasil, o quadro da pandemia foi se agravando e a paralisação, que era de 15 dias, passou para um mês, dois meses, vários meses. 

As corridas de rua, obviamente, também foram todas canceladas. O próprio ato de correr na rua se transformou em algo controverso, nas diversas formas de restrição social ou mesmo lockdown impostos.

Aos poucos, em alguans lugares as coisas foram voltando. No meio do ano algumas provas pequenas começaram a ser realizadas na Europa, em lugares onde a pandemia parecia ter passado. Mas as grandes provas, cheias de gente, transferidas ou marcadas para o segundo semestre, ainda estavam em risco

E isso foi confirmado. Nada de grandes provas no segundo semestre. Por mais que as coisas parecessem ter melhorado na Europa, ainda não era possível pensar em grandes massas de corredores. E os EUA continuava em uma situação muito ruim

Assim como o Brasil, onde as coisas só pioraram ao longo dos meses. Aqui, a chance de uma corrida era zero no meio do ano. E assim se manteve até o final de agosto, quando finalmente parecia que aos poucos os números da pandemia no país inteiro começaram a mostrar uma tímida melhora. Em alguns lugares a coisa continuava complicada, mas em outros a melhora era visível.

Alguns eventos presenciais começaram a ser realizados. Experiências começaram a ser feitas. Corridas de aventura com hora marcada e participantes isolados, corridas em trilha com largadas escalonadas e poucos participantes. O quadro ainda não era bom. Algumas provas um pouco maiores em locais onde o pior parecia ter passado, foram desconfirmadas.

A corridas virtuais, uma das poucas formas dos organizadores se manter vivos, se multiplicaram. Era visível que o interesse das pessoas em continuar a correr se mantinha forte. Os parques aos poucos tiveram a sua visitação liberada e logo foram tomados por corredores nos horários permitidos. As ruas também mostravam muita gente correndo. Com esse interesse, os organizadores de corridas se uniram em uma associação que ganhou caráter nacional, a ABRACEO, para tentar manejar a situação de uma forma coletiva e orgânica.

Em colaboração com a Federação Paulista de Atletismo, os organizadores conseguiram viabilizar alguns testes de eventos em cidades como Sorocaba, por exemplo. 

Mais ainda faltava a capital. São Paulo foi a cidade do Brasil com maior número absoluto de casos e o local onde o primeiro caso foi detectado. Não foi o lugar do Brasil onde a situação foi mais grave, porque conseguiu manter a taxa de ocupação de hospitais e UTIs dentro do limite, mas em alguns momentos a situação ficou muito próxima de estar fora de controle. Mas esse momento agudo havia passado.

E como grande vitrine para o Brasil inteiro, era São Paulo que precisava mostrar alguma forma de recuperação. Após um primeiro evento controlado, realizado em pista de atletismo, em 25 de outubro ocorreu a Corrida do Protocolo, um evento teste, ainda realizado em um ambiente controlado - o Anhembi - mas com maiores dimensões e características mais próximas a uma corrida de rua, e com a participação de 138 atletas de diversos lugares.

O evento serviria como teste para um protocolo a ser adotado para as corridas, um protocolo idealizado para atender às exigências dos órgãos de saúde, mas que possibilitasse a realização de corridas em conformidade com os órgãos esportivos e a viabilidade econômica para os organizadores.

Controle na entrada do evento, utilização de máscaras durante o tempo todo, disponibilização de álcool em gel em diversos pontos, hidratação cuidadosa, sem intervenção humana pelo staff, largadas em ondas e com distanciamento dentro das ondas, disponibilização das medalhas de forma higienizada, premiação de forma controlada, atenção dos staffs para evitar agrupamentos próximos antes, durante e depois da prova, atenção médica especial, especialmente em razão do uso de máscaras durante a prova, todas essas medidas foram adotadas com sucesso na corrida.

Algumas observações foram feitas, como a possibilidade de se escalonar com maior distância temporal as largadas para tentar minimizar a aglomeração, já que todos os participantes chegaram mais ou menos no mesmo horário na prova. A limitação no número de corredores é situação obrigatória para permitir que o organizador consiga gerenciar todas essas condições com eficiência. 

Mas o resultado final da Corrida do Protocolo 2020 pode ser considerada um sucesso. A avaliação geral foi positiva, os corredores se sentiram seguros (embora correr de máscara continue sendo algo muito incômodo para alguns), a organização conseguir ser eficiente e os órgãos públicos aprovaram as medidas.

Contudo, tudo isso de nada adiantará se o Brasil sofrer uma segunda onda severa de contaminação da pandemia, como está ocorrendo neste segundo semestre na Europa, ou continua ocorrendo nos Estados Unidos. A situação permanece melhor na Ásia (exceto Índia) e na África. A América Latina precisa continuar a manter a sua recuperação, após ter sido considerada o epicentro da pandemia durante alguns meses (exceto Uruguai e Paraguai). As vacinas parecem estar cada dia mais próximas, mas nessa corrida contra o tempo, é necessário manter o cuidado e não relaxar, como ocorreu no verão europeu.

A esperança continua viva. Mas nós precisamos ajudá-la também a se manter viva.





Ah, sim, meu resultado! Sufocando com a máscara em um dia quente, consegui fazer 24m59s. Um dos poucos erros da organização ocorreu na minha cronometragem, já que foi marcado 24m18s. E sobrevivi por enquanto...

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