domingo, 27 de dezembro de 2009

Maratona de Porto Alegre 2007

Finalmente a primeira maratona. Três meses de treino bastante duro, alguns quilos que foram embora naturalmente, e a sensação de estar bem preparado.

Foi na preparação dessa maratona que meu condicionamento físico deu um grande salto. A progressão até esse momento era dada em pequenos passos, medida em poucos segundos. Mas para essa prova ganhei resistência e velocidade, força e coordenação. O trabalho foi bem feito, e o planejamento idem. A minha perspectiva para a prova era de um tempo na casa das 4 horas e alguns minutos. Até 04 horas e meia seria uma boa prova, mas como não sabia como o corpo reagiria a um esforço tão longo (os longões tiveram pico de 32 km), não arriscava nada.

Porto Alegre estava com um clima excelente para a prova: algum sol, mas temperatura bem baixa. Os colegas envolvidos também estavam confiantes. Um pouco antes da largada fui ao banheiro preventivamente e... escutei a sirene da largada de dentro do banheiro químico! Sai meio apressado, mas sem pavor, já que o que importava era o tempo líquido. De qualquer modo, não me atrasei muito, não haviam muitos maratonistas e sai apenas um pouco atrasado em relação aos colegas de equipe. Segui o planejamento para correr entre 5min30 e 5min40/km, mas boa parte dos meus laps apontaram o pace de 5min36/km. Fiz pelo menos ums 25 km com esse pace preciso.

No entanto, no 14º km o primeiro revés. Sentia um incômodo no pé, uma bolha se formando. Parei para dar uma mijadinha e tentei arrumar o pé, mas não deu certo. O incômomo virou efetivamente uma bolha e passou a me atrapalhar bastante. Mas até aí tudo bem, vinha me distraindo, conversando, correndo junto com o César e o Frédson. Após essa parada fiquei um pouco para trás mas continuei os vendo, nas longas retas da maratona. Por volta do km 32 eu alcancei e passei o César e não vi o Frédson. Depois soube que ele também tinha dado um pit-stop no banheiro na marca da meia-maratona. Tirando a bolha, me sentia ótimo, mas o César pareceria cansado. Deixei ele para trás, mas alguns quilômetros adiante ele me alcançou e fomos juntos, contando os quilômetros. Naquele momento a maratona já parecia uma praça de guerra, muitos andando, muitos se arrastando, poucos pareciam estar bem.

No quilômetro 35 deixei o César para trás de novo, mas mais uma vez ele me alcançou, um quilômetro depois. Eu não mudava o meu ritmo, ele é que diminuia e depois fazia um esforço para me alcançar. Comecei a me sentir cansado lá pelo 39º quilômetro, quando novamente perdi a companhia do César. Mas já estava perto da chegada e me mantinha concentrado no ritmo, porque estava correndo sub-04. Só que agora, correr a 5min35 já nao era muito fácil, pelo contrário. E não tinha mais o César para puxar ou estimular.

Fui indo, me matando, a bolha parecia uma úlcera a atravessar o meu pé, mas eu queria aquela maratona sub-04. Completar já estava no papo, mas queria faze abaixo das 04 horas, tava muito próximo para desistir e muito justo para relaxar. E eis que, no km 41,5, já com a certeza do sub-04 horas, o Highlander César aparece novamente, tirando forças não sei de onde (ele estava bem atrás) e me alcança! E me passa, cruzando a linha uns 10 segundos à minha frente. Não tive forças para dar um sprint e nem me interessava, já tinha alcançado a maratona sub-4!! 3h59min04s!! A prova perfeita.

Lógico que depois de cruzar a linha de chegada eu mal conseguia andar. Não só pela bolha, mas por dores no pé porque mudei a pisada. Mas, tudo bem, o que importa é que eu tinha feito a minha primeira maratona e em um tempo muito melhor do que imaginava ser capaz!!


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