domingo, 29 de janeiro de 2012

12 (ou 14?) km de Mairiporã

Pretendia ir neste final de semana para Poços de Caldas, para fazer a Subida do Cristo, mas a distância aliada à impossibilidade de fazer a inscrição pela internet me fizeram optar por Mairiporã. Não precisaria dormir fora de casa e além disso meu pai acabou sendo internado graças a um tombo no metrô, o que dificultaria as coisas.

Além disso a inscrição pra Mont Blanc foi feita. Ou seja, agora vou ter que tornar um bicho da montanha. E é com esse espírito que me alinhei em Mairiporã. Conversando com o seu Edélcio ele nos garantiu que o terreno da prova era fácil, o que pegava mesmo eram as subidas. Ao encontrar o Serginho Rocha da Contra-Relógio descalço na largada, torci por ele para que fosse assim.

A prova é, basicamente, uma subida ao Pico do Olho d'Água e a volta pra cidade. Lógico que é pelo pior caminho. E na largada o locutor avisou que tinham mudado um pouco o percurso da volta para adicionar um trecho tecnico na descida.

Saímos da cidade com algumas subidas e logo entramos na trilha, single track. Realmente não tava tão ruim até chegar no terceiro quilômetro. De repente todo mundo parou! Fila no meio da trilha. Logo a explicação: um barrancão de uns 8 metros para ser escalado. O problema era o terreno molhaxo e super escorregadio. O pessoal dava um passo e deslizava dois pra baixo. Para alguns, com menos explosão muscular, tênis de corrida comum e falta de técnica era praticamente intransponível. Um tiozinho furou a fila e lá em cima não conseguia terminar o barranco. Só a ameaçade enfiarem um dedo no rabo dele é que deu certo. Um cara no alto do barranco, não sei se um corredor ou da organização, ficou lá em cima ajudando todo mundo. Alguns travavam no meio e ficavam com medinho de se sujar, de sujar as mãos. Quando chegou minha vez, empurrei pra cima o corredor da minha frente pra evitar que ele travasse e uma vez que o caminho foi liberado simplesmente ataquei o barranco com mão, pé, peito, barriga... o que desse pra subir! Passei rapidinho e fui tentar recuperar o tempo perdido, já que tinha ficado uns 15 minutos parado!

O single track continuou por uns 2 km até chegarmos a um posto de abastecimento. Melancia, descidão feito que nem vaca louca e então uma trilha aberta até o pico. Naquele mato baixo a gente via longe o tamanho do perrengue, os corredores na nossa frente que nem pontinhos coloridos no meio do verde e a vista da cidade. Bacana! Cheguei sofrendo lá em cima e agora ia encarar a descida. No trecho asfaltado, íngreme, era até difícil segurar o corpo, tamanha a inclinação. Mas como era corrível, comecei a recuperar algumas posições, descendo forte. Aí o desvio e o raio do trecho técnico: o meu pesadelo, descida em trilha em lama escorregadia. Pra ajudar, tinha até uma mangueira fornecendo água pra lama... caí de tudo quanto é jeito... em alguns momentos, escorregar virou até estratégia pra evitar uma queda descontrolada.

Novo barranco escorregadio pra subir e quem apareceu? O tiozinho fura-fila, travado na subida de novo... dessa vez eu passei de lado, subi do meu jeito come-lama e acabei ajudando o tiozinho, que conseguiu subir agarrado na minha perna...

Terminei sprintando disputando uma posição qualquer com um cara da Tavares. Fiquei na frente e ganhei... nada, além da diversão! 1h53minutos e 14.14km no Garmim. E lama para todos os lados. Paulinho Navarro já havia chegado, assim como a Isa, que fizera os 8km e reclamou da falta de lama. Realmente o bichinho da montanha a mordeu! André Savazoni, que há pouco tinha comentado sobre os segundos marcantes que as vezes fazem toda a diferença (citando o Ritz, que ficou foradas Olimpíadas por segundos), não pegou pódio por... segundos! Serginho Rocha chegou bem atrás (estávamos juntos no pós barranco) já que foi mais difícil gerenciar pé descalço com descida íngreme e cheia de pedras. Só não vi a chegada do Brunetti porque tive que voltar rápido para o plantão no hospital. Deu 34º na categoria, 122º geral.

Saldo total: quanto mais sujo mais divertido. Só não gostei de me chamarem de palmeirense de tão porco que estava. Mas a alma é limpa e corinthiana!

4 comentários:

elis disse...

temos um pesadelo em comun: descida em trilha em lama escorregadia! kkkkkkkkkkk mil vezes um subidão enlameado rsssss

parabéns, Nishi!
sou fã desses perrengues em que você se mete;)

vai fazer qual distância no UTMB?
bjs

Daniel Gonçalves disse...

Olá Nishi,

Parabéns pelo relato e pela prova. Também estive por lá e gostei muito da prova, exceto pelo tempo perdido naquele barranco antes do quarto quilômetro. Tirei várias fotografias durante o percurso e logo colocarei em meu blog.

Abraço e bons treinos!

Daniel Gonçalves
www.fanaticospormaratonas.blogspot.com

Ricardo Nishizaki disse...

Elis, o CCC tem 98 km... é a mais curta da Mont Blanc.

Ricardo Nishizaki disse...

Daniel, tô esperando pra ver as fotos!!! E parabéns pelo banho de lama!!