domingo, 1 de abril de 2012

Asics Golden Four BH 2012 . O recorde que não foi.

Primeira vez que ia correr em BH e aparentemente fiz tudo certo pra prova. Não esqueci nada na bagagem, o que por si só era um milagre. Mas sempre tem uma merda. No meu caso, deixei o Garmin ligado na mala e quando fui botar no pulso, ele ainda estava ligado com o alarme de "bateria fraca". Não ia durar 1km na prova, useless total! Mas o resto tava certo, roupa, tênis (Mizuno LSD), acordei com boa antecedência, café na medida certa, coisas devidamente eliminadas no banheiro, o negócio era o seguinte: matar ou morrer. Sairia pra baixar de 1h40 como plano A e baixar o meu tempo de 1h44 como plano B. Sem plano C. E nesse plano kamikase, se quebrasse, quebraria de verdade. Sem cronômetro, optei por seguir os pacers na marra.

Saí na baia do pessoal de 1h50, mas na frente via e alcancei rapidamente os pacers de 1h40. O ritmo era bom, forte, mas plenamente suportável. Danilo Balu tava junto ali, dando força, para ele era um ritmo de trote. Tanto era tranquilo que estava disfarçado de jogador de futebol. 

O problema é que o clima não estava do jeito que eu gosto. Senti o corpo esquentando demais, temperatura de 23, 24ºC, solzinho, e mesmo a hidratação perfeita não estava conseguindo baixar minha temperatura corporal. Senti que estava suando demais, e embora o ritmo não estivesse difícil e a respiração tranquila, tava fazendo cada vez mais força pra segui-los. No 6ºkm, tomei um gel e diminuí um pouquinho o ritmo, mas mantive o bonde da 1h40 na minha visão. E assim foi até o retorno do 10,5km. No 12km, no entanto, estava quebrado, lutando contra minha mente e minhas pernas que simplesmente se recusaram a continuar. O fim, estava oficialmente fora da 1h40. Pior, essa quebra quebrou também o plano B. Ainda tentei continuar levinho e pegar o bonde da 1h45. Quem sabe não conseguiria acelerar no final e baixar o meu tempo? Mas esse bonde informal, puxado pela Juliana Caixeta, passou por mim e eu não acompanhei 20 metros até andar de novo...

O negócio era simplesmente terminar a prova e me recolher à minha insignificância. Quebrei. Pensei se não deveria ter saído com um pace mais leve, de 4m55/km, pra depois pensar em acelerar, mas tava sem cronômetro e a opção pelo bonde mais forte foi quase impositiva. O fato é que arrisquei e deu errado. Poderia ter dado certo, mas não deu, paciência. Quando o bonde da 1h50 me alcançou, no 18ºkm, achei que seria ruim demais fechar acima de 1h50 e fui com eles. E cheguei a abrir um pouco no quilômetro final, fechando quase 1 minuto na frente deles.

Quando cheguei no hotel é que percebi que estava sem o chip. Perdi em algum momento na prova. Sob esse ponto de vista, até pensei que pelo menos não fiz uma prova sensacional que ficaria sem registro. Prova medíocre, sem registro, sem problema. Só que... horas depois, recebi um SMS da prova informando que meu tempo tinha sido 1h42m35s???? Como assim??? Recorde pessoal, se tivesse feito esse tempo. Só que não fiz!! Aí vi no blog Senta a Bota comentário do Nelton, dizendo que também perdeu o chip, mas percebeu e o pegou com a mão. E que viu diversos outros chips perdidos jogados no chão. Aparentemente o sistema utilizado para prender, com um plástiquinho encaixado, não deu certo. Como devem ter ocorrido muitos brancos nos registros dos corredores por causa disso, imagino que eles tenham pego a parcial (havia um tapete no 10ºkm e eu passei mais ou menos com 48 minutos) e estimado um tempo pros competidores. No meu caso, se seguisse no ritmo desejado, ia dar algo parecido mesmo, pelo plano B. Mas quebrei, então o resultado acabou sendo bem errado.


O problema é que outros corredores que perderam o chip devem ter tido um tempo estimado que pode não corresponder à realidade, o que tira um pouco a credibilidade do resultado. Pra mim acabou não fazendo a menor diferença, mas será que não fez para outras pessoas, considerando resultado de categoria, etc?

De qualquer forma, fora isso o evento foi sensacional. Muito bem organizado, tinha até lanchinho na hora de retirar o kit. Lembrei até do Júlio César, que vive a defender a Yescom e que num comentário sobre a São Silvestre chegou a dizer que um dos diferenciais da SS era o fato de ter ambulância até mesmo na retirada do kit. Uma coisa inútil e que não redime os graves erros da organização da SS. Mas que agora nem é mais diferencial, já que a Golden Four (que o mesmo Julio Cesar adora falar mal) também tinha ambulância na retirada do kit... além disso haviam palestras, medalha e camiseta são de primeira qualidade (não é isso que me faz querer fazer ou não uma prova, mas é impossível não notar a qualidade), hidratação perfeita, enfim, um baita cuidado com o corredor. A sensação é de que ali você é o cara, e não um boi no meio da boiada. Já tinha lido vários reviews positivos sobre a prova, mas agora, tendo a vivido, posso dizer que ela realmente é muito bem organizada mesmo.Só ficou faltando a minha parte. Mas mesmo assim eles corrigiram esse problema meu...


2 comentários:

Yeda disse...

Nishi, considerando todos os problemas, foi excelente resultado. Parabéns!
PR é assim, temos que arriscar, talvez se estivesse mais frio, você poderia ter aguentado o ritmo até o final, vai saber...
Sabe que um dos meus piores pesadelos é o relogio não funcionar no dia da prova. Por mais que eu corra baseado na sensação, o relogio me ajuda a manter meu ritmo e ficar sem ele me deixa insegura.

Bjos

Yeda

Ricardo Nishizaki disse...

Pensando um pouco, depois de ter conversado com o Serginho Rocha, da Contra-Relógio, acho que cheguei um pouco cansado pra prova devido a Paranapiacaba, na semana anterior. Foi uma prova muito exigente, mesmo com só 12km. Tanto que senti um pouco de cansaço nos treinos da semana anterior à prova. Mas não me arrependo não, Paranapiacaba foi divertida demais, fez bem pra cabeça. E o negócio do relógio pode ter atrapalhado um pouco, especialmente na quebra, quando eu ia começar a fazer conta pro plano B. Mas meu recorde de 10k foi sem relógio, na base da porrada, então... bola pra frente!! Valeu Yeda!