sexta-feira, 29 de março de 2013

Ultramaratona 50 milhas Campinas - 2013

Lá fui eu pra Ultra 50 milhas de Campinas. A estratégia era simples: ir devagar no começo e me preservar para aguentar firme a segunda metade da prova, sabendo que as piores subidas estariam entre o 20º e o 60º km e prevendo a possibilidade de bastante calor, algo comum na região.

Prova bastante "corrível", na maior parte do tempo em estrada de terra (99,8% estrada de terra, 0,1% asfalto, 0,1% single track) e dá pra fazer em umas 10, 11 horas. O problema é que eu não acordei bem e logo que comecei a correr senti um calor excessivo, batimento cardíaco muito alto pro ritmo leve que vinha mantendo. A primeira urinada indicou o problema: mijei coca-cola, urina escura, os rins estavam meio ruins, sei lá porque. Não estava me sentindo 100%, mas não tinha nenhum problema maior, só que a prudência me fez diminuir ainda mais o ritmo (de leve para mais leve ainda). Pior, o pé direito doía muito no dedão e por causa desse problema no rim, eu não tomei nenhum remédio, nenhum antinflamatório.

A "sorte" (na verdade azar dele) era que o Gustavo Abade também não estava bem por causa do resfriado dele e fomos os dois, junto com um outro atleta do Branca, André Zumzum nessa toada levíssima. Algum alívio veio no posto do km 32, onde deu pra tomar uma ducha e beber uma coca-cola, além de encher a cara de isotônico e água de coco, mas mesmo assim ainda me sentia com calor. A temperatura não estava alta (no máximo, 29 graus), mas tava muito abafado. Mesmo assim a estratégia de se poupar tava dando algum resultado e a urina tava saindo mais clara, embora pouca.


O Gustavo abandonou rapidinho os bastões...
No posto de retorno, km 41, uma decepção: não tinha água. Voltamos praguejando, mas 2 km mais adiante, possivelmente avisado pelo pessoal, o organizador da prova, o Fernando Nogueira, apareceu de carro com o líquido salvador. A partir daí o Gustavo, já se sentindo melhor, e o Zumzum, que tava inteiraço, seguiram mais forte. Eu continuei na minha toada, até porque embora a urina indicasse melhora, continuava sentindo muito calor. Entre o 43 e o próximo posto, no 59ºkm, gastei minha água inteira molhando o corpo.

O posto móvel salvador!!!
Nesse posto, o último, até cogitei parar. Pior, as nuvens no céu indicavam chuva. Mas nesse posto encontrei o Gustavo e o Zumzum, descansando há quase 12 minutos, e achei que a possibilidade de a temperatura baixar fosse me ajudar. De fato, não deu 2 minutos e começou a pingar. Reabasteci e saí. 500m adiante cai um temporal daqueles, e o calor virou frio. Dava até medo, de tanto raio e trovão Trotava pra tentar me manter aquecido. Mas passei a me sentir bem, o organismo voltou a reagir!! A sorte é que apesar da água, na maior parte do tempo a estrada de terra aguentou firme e não virou lama. No máximo, uma água empoçada até a canela, uns rios de lama descendo, mas nada que fosse absurdo. Quando as piores subidas da volta passaram, deu pra desenvolver uma velocidade até boa. No 66ºkm, quando vinha numa descida a 5min/km, mesmo com o pé doendo pra cacete, encontro o Casal Coyote, Cynthia e Oswaldo. Aleluia!!

Eles, em dupla, já tinham terminado e voltaram pra dar um help pros amigos que ainda estavam na prova. Gatorade salvador, água deliciosa e eu até cheguei a pensar que daria pra chegar ainda de dia. Eles ainda me deram mais um help no 72ºkm. Ali eram 11 horas de prova e faltavam 08km. No ritmo que eu estava daria pra fazer abaixo de 12? Cheguei a pensar nisso, mas aí começou a escurecer. Quer me sacanear? Me coloque pra correr de noite, na chuva e com um piso irregular. Eu sou cego à noite!! Diminui muito o ritmo, até porque headlamp e boné (obrigatório para não molhar os óculos) não combinam. E no que diminuí, os músculos esfriaram e começaram a doer muito.

Bom, era só terminar então fui pianinho. A 3km da chegada encontro o portão de entrada do canavial e ali o piso tava ruim. A terra virou barro, escorregava na subida... o pequeno trecho de single track não foi melhor, tinha umas descidinhas onde não conseguia ficar em pé. Mas tava muito perto. Saio no asfalto, contorno a Decathlon (e lógico que tinha subida nessa hora... ai minhas pernas!!) e chego, mancando, todo torto, 13h12m55s de tempo oficial e mais de 2 horas pra fazer os 08 km finais!!

4 comentários:

Julio Cordeiro disse...

Valeu amigo Nishi,
Parabéns por essa conquista tão difícil
Abraços Pernambucanos
Julio Maratonista Cordeiro

Ricardo Nishizaki disse...

Essa você faz com um sapato social nas costas, Julito!! Abração!!

Brunno disse...

Nishi,

Encontrei seu blog através de indicações/links de outros blogs (como do Julio Cordeiro, por exemplo).

E o primeiro post que leio é esse, sobre a Ultra de Campinas (minha cidade natal). Gostei muito do relato e fiquei motivado para algum dia (futuro ainda distante) também participar.

Digo algum dia porque, no momento, meu nível de conforto são os 21 kms da Meia. Meus treinos e provas para esse 2013 estão planejados para correr outras Meias (ou distâncias próximas), no asfalto e em trilhas.

Dependendo do meu desempenho ao longo desse ano, para 2014 espero ter condições de estrear nos 42 kms de uma Maratona. E, a partir de então, colecionar Maratonas e alçar vôos maiores com as Ultras.

Nesse sentido, ouvir/ler a experiência de corredores como você são fontes de inspiração e aprendizado. Por isso, a partir de agora, estou acompanhando/seguindo seu blog.

Abraços e bons treinos.
Brunno - http://movidoaendorfina.wordpress.com

Ricardo Nishizaki disse...

Brunno, quando eu tava começando a correr, era meio-maratonista ainda, tinha um cara que vivia me dizendo que dá pra fazer distâncias maiores sim, era só ir devagar e não achar nada impossível. Grande Eber Valentim!! Hoje ele é um cara que corre as mesmas provas que eu, com a única diferença que ele disputa pódio e eu o penúltimo lugar. Mas não interessa, o que me moveu foi o desafio!

De qualquer modo, eu acho que as corridas longas não são uma obrigação ou um dever. Faz quem quer, faz quem gosta. Ninguém é mais ou menos corredor por correr distâncias menores, afinal os desafios são outros. E eu continuo correndo as minhas meias-maratonas com afinco também. Para mim, o que interessa é correr. Onde cada um se encaixa nessa categoria de corredor, vai variar de acordo com a característica física e mental. O que interessa é o gosto pela coisa e acho que você já parte de um bom início, demonstrando o quanto gosta e o planejamento a longo prazo!!

Abração e valeu pela visita!!