quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Sobrenatural de Almeida

O clima paulistano me travou. Pulmões recusam-se a expelir sem dor o catarro solidificado produzido em larga escala para compensar a secura e a poluição do ar. Por conta disso, dormir se tornou uma tarefa quase inviável, entremeada de tosses secas e molhadas. A inflamação alérgica chega, em momentos mais agudos, a causar febre, agravando a indisposição natural que já existe quando espirramos dez vezes seguidas.

Se domingo eu já tinha adotado como off, segunda foi forçado, dedicado a uma massagem, na falta de condições de corrida. Mas na terça não havia mais a desculpa. Apesar de tremelicar de frio e suar com um estado levemente febril, arrisquei-me no Ibira, munido das parcas vestimentas invernais de corredor que possuo para, se não fazer o treino completo, ao menos tentar correr um pouco e liberar os hormônios que descarregamos durante a atividade física, para atenuar o estado lastimável de minhas reações auto-imunes alérgicas.

Cheguei até atrasado, mas sem ligar para isso. E até me programei para fazer o treino planilhado, consistente em 4 voltas de 3km cada, progressivas até o ritmo mais forte possível no último quilômetro, com intervalos de 3 minutos entre esses estímulos. Mas cá comigo tinha como plano secreto jogar para a torcida e fazer o treino levezinho, ainda mais porque, atrasado, não teria ninguém para treinar comigo e me puxar.

Equivoquei-me. Quem estava comigo era o meu amigo invisível Sobrenatural de Almeida. Possivelmente cansado do novo futebol e do velho Nélson Rodrigues, resolveu dar as caras em outro esporte em ascenção. E escolhei um corredor qualquer para provar que não se interessa só por craques. Ele me puxou no treino. Na primeira volta, ainda aquecendo, 15min20s. A segunda saiu a 14m40s, com ele me puxando pelo braço, praticamente. Na terceira, 14min30s, e apesar dos recordes dos batimentos cardíacos por minuto, eu não conseguia parar de tentar alcançar o Sobrenatural. Aí, na quarta e derradeira volta, o caos. No meio do segundo quilômetro, 90 minutos tinham se passado desde que eu saíra do trabalho para treinar. O árbitro apitou fim de jogo e o Sobrenatural de Almeida se foi e levou consigo toda a minha vontade. Até parei para andar, com dor no baço. No final das contas, 15min03, para fechar os 12k (com os meus Nike Free.)

É a única explicação para um treino forte feito com tão fracas condições físicas. Esperava que ele aparecesse nos gramados do Timão, mas ele apareceu em um treino qualquer meu. Ok, menos mal que ao menos apareceu. Mas se foi aos 45 do segundo tempo, sem direito a prorrogação e descontos. De qualquer modo, a tarefa tava feita. Valeu, Sobrenatural de Almeida!

Obs: hoje, musculação. Sem sobrenatural.

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