quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Maratona de Buenos Aires, o recorde improvável

25 de setembro. Treino bem feito, forte, muito rápido pro meu nível, mesmo em fase de recuperação da Mont Blanc. Comecei a ficar com esperança de fazer uma outra boa meia até o final do ano, quem sabe não sairia mais um recordezinho pessoal? Então, Coach Diego Lopez vem e solta a pergunta: Nishi, tá correndo leve, acha que dá pra ir pra Buenos Aires? 

Eeeepa!! Pra quem pensava numa meia até o final do ano, correr uma maratona no próximo dia 07? Loucura total. André e Sérgio tinham me convidado, mas eu recusara, achava absurdo. Só que o coach falou e eu... bom, onde compro as passagens??

Cheguei no sábado pré-prova, à tarde, kit retirado pelo Diego, visitei a feira só pra ver como era.  Melhor do que qualquer feira brasileira, bons expositores, variedade, espaço legal, obviamente não dá pra comparar com uma feira de major, mas tava legal, de dar inveja. Aí você começa a pensar: por que as provas brasileiras, com uma economia tão mais forte, não conseguem isso que a prova portenha, num país em crise, consegue?


A largada era em Belgrano, bairro da zona oeste de Buenos Aires, já próximo ao estádio do River Plate. Cruzaríamos a cidade inteira até a Boca e retornaríamos, em um trajeto bem plano, com algumas poucas e leves subidinhas.


Chegamos lá e nos encontramos na barraca da equipe parceira portenha da Sporstream, do Sergio. Éramos nove trilopenses: Diego, eu, Ogro, Orlandini, Luis Giovani, Édson, Alê, Daldin e seu Edélcio. Quase o mesmo número de atletas da equipe local. Aliás, não faltou brasileiro na prova. Dos 6.200 concluintes, 600 brasileiros!


Largamos razoavelmente na frente, em 2 minutos passamos o pórtico e o primeiro quilômetro, mesmo com todo o tumulto de largada e o corpo frio, já saiu a 5min20/km, que era o pace que eu tinha programado pra mim. Só que tava fácil correr e em poucos quilômetros a média já era de 5min/km. Mesmo assim, segurava e deixei o Orlandini e o Ogro abrirem um pouco. Nessa toada fui seguindo, tranquilo, com sobras, até ver de novo os dois ali na minha frente, já lá na Boca, onde rolou um bom "Vai Corinthians". Encostei nos dois e passamos juntos pela marca da meia maratona a 1h46 e pouco. Muito mais forte do que eu tinha programado, mas tava realmente fácil. 

A temperatura amena ajudava muito. E a chuva que prometeu vir não veio de verdade. Veio uns pinguinhos aqui, outros ali, mas não só não atrapalhou como ajudou a manter a temperatura baixa. Excelente! 

A segunda metade certamente seria pior, mas eu não tava sentindo. Eu e o Ogro seguíamos juntos a 5min/km. Uma cena absolutamente improvável quando eu comecei a correr: passei o Chicão, ex-trilopense, um cara que já fez Boston!! Outra cena, mais divertida por volta do 26º km. Depois de pegar uma garrafa de água e beber metade, fiquei com ela na mão. Aí vi, de longe, um lixo na borda da pista. Arremessei de três e chuá!! Me chamaram de Ginóbili, mas foi Oscar Mão-Santa mesmo!! Mais interessante ainda foi descobrir o segredo do Ogro pra não ter cãimbra: shoyu. Um sachezinho daqueles deve ter mais sal do que o Mar Morto. E tem proteína de soja também!!


Por volta do 36ºkm, quando o recorde pessoal parecia garantido comecei a quebrar. O Ogro quebrou um pouquinho mais do que eu, porque não me alcançou, mas a coisa não tava boa pra mim não. Um quilômetro depois me sentia como se tivesse sido atropelado por um caminhão, foi uma quebra rápida e direta. Senti náuseas, as pernas pesaram, mas me forcei a correr até o 39º km. Aos trancos e barrancos cheguei no 39ºkm e comecei a fazer as contas e a tentar enganar o corpo: só mais um quilômetro correndo, no próximo ando. E assim foi o 40º, 41º, 42º, pórtico de chegada!!!! Últimos 1.195m em 6min10/km, mas pareceu que foi a 3min/km!! 



3h37m48s!! 



Todo mundo deu show. Diego treinou e fez 3h29. O Ogro, 3h39. Orlandini fez finalmente um tempo digno de sua preparação, 3h42. Seu Edélcio, 3h53. Luis Giovani, 3h57, Édson, 3h59. Daldin, 4h01 (por causa do maldito xixi...) e Alê 4h04. Um dos maiores índices de recorde pessoal da história!!

A prova foi muito bem organizada, hidratação farta, Gatorade de tudo quanto é tipo, banana e gel em pontos estratégicos e até tinha uma participação popular bem razoável, para um início de domingo frio e úmido. Pra completar, uma santa manta plástica distribuída na chegada para manter a temperatura do corpo, porque tava gostoso pra correr, mas bem friozinho pra ficar parado, ainda mais com roupa molhada de suor!

Devo dizer que foi difícil andar da chegada até a tenda. Apesar da felicidade, difícil pegar táxi depois da prova. E foi difícil tomar banho. Mas pelo menos não foi nada difícil comer um asado de tira depois da corrida. Afinal, esse foi o argumento que convenceu a ir pra lá!

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