quinta-feira, 10 de abril de 2014

Eco Trail de Paris 2014

E então chega a data da primeira meta do ano, a Eco Trail de Paris. Tentei fazer tudo direitinho, cheguei na Europa uma semana antes pra me adaptar ao fuso e matar o jet lag. Visitei a Bélgica mas não me matei de andar por lá e nem me afoguei nas maravilhosas cervejas belgas. Lógico que tomei umas aqui, outras ali, mas leve, preservei bem o fígado. E fiz carbo load com batata frita, outra especialidade belga. Fui pra Paris na quinta e passei a sexta em passeios bem leves para a prova no sábado. 

Largada ao meio-dia, perfeito para dar tempo de me deslocar até Saint-Quentin en-Yvelines sem precisar madrugar. O clima andava bom também, friozinho leve com sol, sem chuva para enlamear as trilhas. Retirada de kit em uma feira de eventos que tinha como mote a vida ao ar livre, com vários expositores interessantes, produtos legais e preços em... euro. Isso é que dava dó. Mesmo assim comprei uma coisinha ou outra e um gel de carboidrato interessante, cafeína 100%. 

O transporte até a largada era muito simples. Trem RER C a ser pego na estação da Torre Eiffel, descendo em Saint-Quentin en-Yvelines, onde os corredores pegaram umas vans da organização e foram desovados na largada, um tipo de um parque com uma estrutura legal, com banheiros, cafezinho, comidinhas e um gramadão onde eu tirei uma soneca. 

Largamos nesse próprio gramado, ruim de correr porque muito irregular, mas logo depois caímos numa estrada de terra. Tinha bastante gente (quase 1.400 corredores concluíram a prova, um número um pouco maior largou) para uma ultra, mas não teve muito tumulto, o ritmo era fluido e tranquilo.


O problema é que repeti um erro. Como aconteceu no Half Misión, as ataduras que coloquei para estabilizar o tornozelo acabaram pressionando os pés, me causando dores chatíssimas. Eu treino com elas mas, novamente, quando vou usá-las em provas, faço alguma coisa errada, tensiono demais e me ferro. A dor começou lá pelo 5º e ficou me enchendo o saco. Um pouco antes do 1º posto em Buc, km 24 (tô me baseando na marcação oficial, mas no GPS era um pouco menos), eu achei um banco de praça, me sentei e tirei as danadas. Perdi um tempão nisso, foi trabalhoso, especialmente com as meias de compressão pra ajudar, mas o alívio foi imediato no pé direito. O problema é que no esquerdo a dor continuou (aliás, como no Half Misión!). Achei que fosse dar uma assentada por causa da posição, mas ela me perseguiu...

Até esse primeiro posto a prova foi extremamente fácil. Imaginava que ia ser mais complicado do 1º para o 2º posto, em Meudon (km 47), ainda mais porque esse seria um posto só de água, sem comida. Não foi tão ruim, exceto as dores no pé. Já bem perto de Meudon, eu não aguentava mais e enfiei um Flanax pra dentro, mas demorou bastante para fazer efeito. A dor não atrapalhava muito o ritmo, continuei correndo praticamente o tempo inteiro, mas incomodava demais.

Ali foi o meu pior momento da prova. Além da dor no pé, me senti meio mal, com um pouco de enjôo. O bom é que o ritmo era bem rápido e tava com sobra para fazer a prova em 10h40, um tempo que me daria a qualificação para a Comrades. É uma marca tranquila para ser feita no asfalto, mas em trilha ninguém sabe o que pode acontecer. Felizmente, as trilhas parisienses não atrapalharam em nada o objetivo.

Depois do km 50, tudo começou a melhorar. As dores começaram a diminuir e comecei e me sentir bem melhor. A prova continuava sem grandes tormentos, com trilhas pouco técnicas, sem muito problema como relevo. Algumas subidas eram inclinadas, mas elas eram curtas e não causavam muito estresse. Subia andando forte e quando chegava no plano já dava pra correr sem problema. Os quadríceps, no entanto, começaram a se contrair em pré-cãimbras bem chatinhas. No km 58, o terceiro posto da prova (Chaville), já havia comida de novo. Deixei o gel de lado e mergulhei no salame! Sal pra dentro e bola pra frente!

A noite caiu e cheguei ao último posto, no km 70, já sem as pré-cãimbras nos quadríceps e o pé zerado. Ali o problema era o natural cansaço de tantos quilômetros, mas eu tava tão bem na prova, tão dentro do objetivo, que tudo era lindo. Dali sabia que tínhamos apenas uma descida forte e longa (o único trecho inclinado mais longo) e a chegada à cidade, onde só teria plano e asfalto até a chegada. A descida também não foi problemática e não oferecia muitas dificuldades técnicas. Minha headlamp só iluminava trilhas leves e bem demarcadas, e chegar em Paris foi uma maravilha.

Era só seguir na direção da Torre Eiffel iluminada! Quer dizer, na verdade o pessoal colocou uns desviozinhos aqui e ali e errei o caminho umas duas vezes nesse final de prova urbano. Mas fui rapidamente socorrido (Gauche! Gauche!!) e cheguei sobrando, com 09h47min38s. Quase uma hora abaixo do planejado! Comrades, você vai ter que me aguentar!


519º lugar em 1.320 concluintes. E dava pra ser melhor. Fui bem conservador no ritmo, não ataquei subidas e ainda tive a perda de tempo na hora das ataduras. Excelente. Tanto que fui ganhando posições ao longo da prova. Na primeira passagem era o 956º colocado, por exemplo. Uma prova tecnicamente suave, sem problemas de relevo do solo (a pior parte, por incrível que pareça, era a largada no gramado cheio de buracos) e com subidas e descidas fáceis, do tipo que encontramos em São Paulo. Que venha a Comrades!



3 comentários:

Roberto Suzuki disse...

Muito legal.

Muita gente de fora correndo, tipo Nações Unidas ou predominância local? Vc se vira bem no francês? Pergunto porque qdo estive por lá, senti que o pessoal não gosta de quem só fala inglês.

E a pergunta que não quer calar. Pra que vc vai de atadura se dá mais dor de cabeça que ajuda?

Boa sorte na Comrades. Faltam só 50 dias!

Abs, Shigueo

Ricardo Nishizaki disse...

Pra estabilizar os meus tornozelos que vivem torcendo. Trilha tem dessas. Eu faço os testes, bonitinho, mas na hora da preparação pra prova, sei lá o que erro. Um saco!! Mas e vou mudar um pouco o esquema, sem passar na sola do pé, fica mais frouxo, mas não rola esse problema.

Ricardo Nishizaki disse...

Esqueci de responder. Tinha estrangeiro sim, mas poucos. Se reparar bem, o número de peito tem a bandeirinha do Brasil. O site tem 5 línguas e na largada o cara falou também em inglês. Mas a maioria era francês mesmo. E não, não falo porra nenhuma de francês. Je ne parlez pa français e Vous parlez anglais são as duas únicas frases que conheço... me virei na marra mesmo, à brasileira, no jeitinho...